Sociedade civil exige regresso de Embaló para que responda a justiça
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A posição é defendida, através de um comunicado, assinado pelo Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil e a Frente Popular, duas plataformas que reagrupam organizações de jovens, mulheres, sindicatos e ONG.
O comunicado conjunto das duas organizações foi tornado público pelos órgãos de comunicação social guineenses e consultado pela Lusa nas redes sociais.
No documento, as duas organizações reagiram ao anúncio do Alto Comando Militar de impedir, invocando "razões de segurança", o regresso ao país de Umaro Sissoco Embalo.
As organizações sublinham que Embalo deve regressar ao país para comparecer perante a justiça sobre as suas eventuais responsabilidades criminais pelos assassínios do ativista político Vigário Luis Balanta, e do ex-segurança presidencial, Mamadu Tanu Bari.
Estes dois cidadãos guineenses foram assassinados em circunstâncias ainda por esclarecer e as organizações da sociedade civil sempre questionaram o ex-presidente do país sobre as duas mortes.
No mesmo documento, as organizações apontam responsabilidades ao antigo presidente guineense e ao então Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, general Biague Na NTan, reiterando que ambos devem ser alvo de "averiguações independentes".
Sobre a situação política, as duas plataformas apelam os militares à abertura de canais de diálogo entre os atores políticos, institucionais e sociais para se encontrar uma "saída pacífica" para a crise no país e assegurar o regresso célere à ordem constitucional.
As duas plataformas cívicas, que congregam mais de cinquenta organizações da sociedade civil, consideram positiva a decisão das autoridades militares de proceder ao desarmamento das estruturas armadas associadas ao antigo Presidente.
Fazendo um balanço do que classificam como "um progressivo enfraquecimento" das instituições democráticas e das liberdades fundamentais, o Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil e a Frente Popular exigem medidas concretas por parte das autoridades.
Entre as medidas, pedem a "libertação imediata" de cidadãos que consideram estar a cumprir detenções de caráter arbitrário, bem como a "restauração plena" das liberdades de expressão, de imprensa, de reunião, de manifestação, de associação e de participação política.
Umaro Sissoco Embaló presidiu à Guiné-Bissau de 27 de fevereiro de 2020 a 26 de novembro de 2026 até ser derrubado por um golpe liderado pelo general Horta Inta-a, seu antigo chefe de segurança na Presidência da República.
A oposição considerou que se tratou de um "golpe cerimonial" por ocorrer em vésperas de divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais que o bloco defende terem sido ganhas "à primeira volta" por Fernando Dias da Costa.
Os militares marcaram para 06 de dezembro novas eleições legislativas e presidenciais.
Sissoco Embalo vive exilado entre Marrocos e República do Congo desde que foi derrubado no golpe de Estado. No início da semana manifestou a sua intenção de regressar ao país este domingo para se preparar para as eleições presidenciais de dezembro.
Na quinta-feira à noite o Alto Comando Militar emitiu um comunicado a indicar que não havia condições de segurança para o regresso de Embalo.
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