Riade realizou mais de 90 ataques aéreos no Iémen nas últimas 24 horas
...
Estas operações "causaram vítimas, mortos e feridos", precisou o porta-voz dos Hutis, Yahya Saree, sem indicar o número.
Além da capital, o porta-voz huti identificou ataques nas províncias de Saada, Taiz, Hajjah, Amran e Ibb.
"Os ataques foram levados a cabo por aviões F-15 e Typhoon que descolaram das bases aéreas de Khamis Mushait e Taif, bem como por ataques com mísseis lançados a partir de Najran e Jizan", continuou Yahya Saree, acrescentando que com estes ataques elevam o total para "1.350 ataques aéreos e com mísseis".
Os novos bombardeamentos surgem após Riade ter acusado os rebeldes de terem atacado a cidade de Medina, que os Hutis rejeitaram hoje.
O Conselho da Shura, a câmara alta do Parlamento bicameral do Iémen, controlado pelos rebeldes, considerou tratar-se de uma "calúnia flagrante" que revela a "falência política e moral" da Arábia Saudita.
Durante a madrugada, a coligação liderada pela Arábia Saudita no Iémen acusou as milícias de atacarem instalações elétricas num distrito da histórica cidade de Medina, classificando o incidente como uma nova "provocação" contra "os sentimentos dos muçulmanos em todo o mundo".
Este caso surge na sequência de um episódio semelhante ocorrido em setembro passado, quando se registou uma alegada tentativa de ataque dos Hutis contra Meca, negada pelo grupo rebelde.
Em simultâneo, o Governo paquistanês anunciou hoje uma cimeira do Acordo de Defesa Conjunta de Meca (Paquistão, Arábia Saudita e Turquia) "em breve", para abordar a ofensiva dos Hutis no Iémen e os seus recentes ataques ao território saudita.
O anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros paquistanês, Ishaq Dar, referindo-se ao pacto trilateral de defesa mútua assinado por aqueles três países em agosto deste ano, em Meca, que reúne os recursos financeiros sauditas, o poder militar turco e o arsenal nuclear paquistanês e estipula que um ataque a qualquer dos signatários equivale a uma agressão a todos, em moldes semelhantes ao Artigo 5.º da NATO, a aliança militar ocidental.
Os Hutis, cujo nome oficial é Ansar Allah, são um movimento político-religioso de maioria xiita militarmente apoiado pelo Irão e desde 2014 em guerra civil no Iémen com as tropas governamentais, apoiadas por uma coligação internacional liderada pela Arábia Saudita, razão pela qual têm atacado o país, em resposta ao apoio deste às autoridades iemenitas internacionalmente reconhecidas.
Leia Também: Hutis negam acusações sauditas sobre ataque contra Medina