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Reclamar faz mal à saúde? Psicólogos explicam quando se torna um problema

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                    Reclamar faz mal à saúde? Psicólogos explicam quando se torna um problema
Reclamar faz mal à saúde? Psicólogos explicam quando se torna um problema (Foto: Reprodução)

Reclamar é um hábito mais comum do que possamos pensar. Pode aparecer ao longo do dia e em diversas ocasiões. 

 

Quem nunca reclamou de alguma coisa, que atire a primeira pedra. No entanto, é preciso também concordar que existem pessoas mestres nesta arte - os chamados 'reclamões crónicos', conforme realçado por um artigo do Real Simple. 

Conviver com pessoas assim pode ser muito cansativo, sobretudo porque, normalmente, optam sempre pela perspetiva mais pessimista de qualquer situação. 

Especialistas em psicologia notam que apesar de o ator de reclamar ser benéfico para a saúde mental, quando um limite é ultrapassado, pode apenas piorar a vida.

Quando reclamar é saudável

"Reclamar pode ajudar na medida em que permite que extravasemos emoções negativas, comuniquemos os nossos sentimentos e iniciemos o processo de resolução de problemas", destaca a psicóloga Kerry Cannity.

Há estudos que sugerem que suprimir emoções pode estar ligado a problemas de saúde, incluindo falhas de memória, maus relacionamentos e mesmo doenças cardíacas. 

"Enterrar ou negar sentimentos negativos tem o seu preço", acrescenta Cannity.

Para além disso, o simples ato de conversar sobre um problema com uma pessoa atenciosa e compreensiva traz benefícios.

"Ter alguém que testemunhe a nossa experiência pode ajudar a sentirmo-nos mais equilibrados e entendidos, especialmente quando essa pessoa não tenta resolver o problema imediatamente ou convencer-nos de que não estamos a sentir o que estamos a sentir", afirma a terapeuta Sarah Close.

Quando reclamar se torna prejudicial à saúde

Reclamar faz parte da natureza humana. Especialistas dizem que a distinção entre reclamações saudáveis ​​e não saudáveis ​​tem a ver com a frequência com que a pessoa reclama. 

"Se reclamar se tornar um hábito, isto pode começar a reprogramar o cérebro para uma perspetiva mais negativa", explica Cannity. 

"Pode levar a uma maior atenção a estímulos que provocam raiva ou medo, o que também pode resultar num nível geral mais alto de hormonas de stress no cérebro e no corpo".

Há estudos que mostram que quando reclamamos o nosso cérebro liberta cortisol, hormona de stress que, em excesso, pode ter efeitos nocivos sobre o sono, pressão arterial, metabolismo e outras funções corporais importantes.

Em 1996, investigadores da Universidade de Stanford, descobriram que reclamar ou ser alvo de reclamações durante meia hora pode reduzir o hipocampo, parte do nosso cérebro responsável pela memória e pela regulação emocional.

Além dos impactos neurocientíficos, reclamar em excesso pode ser um grande problema nos relacionamentos interpessoais. "Seja entre cônjuges, pais e filhos ou colegas de trabalho, ser alvo de negatividade persistente pode levar as pessoas a afastarem-se", afirma Mary McLaughlin, assistente social clínica.

"Se toda a conversa transforma-se numa reclamação, eventualmente as pessoas vão querer parar de conversar".

Como evitar ser um 'reclamão crónico'

A realidade é que é muito difícil deixar de reclamar - e não é preciso. 

O segredo é evitar reclamar por reclamar. Em vez disso, pense em como pode realmente abordar o problema em questão.

Procure perceber se desabafar o ajuda a sentir-se melhor ou se está a arrastá-lo para a mesma espiral de sentimentos negativos.

"O corpo consegue dizer se está a processar uma experiência ou apenas a manter alguém em estado de alerta", nota Close.

Reclamar com intenção pode ajudar-nos a encontrar o equilíbrio entre expressar as nossas emoções e manter uma perspetiva positiva. 

Cannity recomenda incluir um "e" ou "mas" à  sua reclamação. Por exemplo: "estou muito cansado hoje porque não consegui dormir, mas também estou animado para ir ao jantar hoje à noite". 

Desta forma, ainda reconhece o sentimento negativo, mas não fica completamente fixado nele.

Estudo. Alterações nos "genes-relógio" associadas à insónia crónica

Um estudo da Universidade de Coimbra (UC) identificou, com recurso a um modelo bioinformático, alterações na expressão dos chamados "genes-relógio" associadas à insónia crónica, podendo contribuir para um diagnóstico mais preciso da doença, anunciou hoje aquela instituição.

Lusa | 13:35 - 01/10/2026