Milícia pró-governo da Etiópia reivindica captura de aeroporto de Tigray
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"Assumimos o controlo total do aeroporto Alula Aba Nega, em Mekele", localizado a cerca de 10 quilómetros da cidade, afirmaram numa mensagem na rede social X as Forças de Paz de Tigray (TPF), uma milícia local aliada ao governo federal etíope composta por dissidentes dos rebeldes da TPLF.
A reivindicação não pôde ser verificada de imediato por fontes independentes.
Após meses de tensão, os combates no norte da Etiópia foram retomados a 23 de setembro, opondo o exército federal etíope às forças da Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF) — grupo que governa de facto o estado fronteiriço com a Eritreia — e às milícias Fano, do estado vizinho de Amhara.
Segundo indicou hoje à AFP uma fonte humanitária, as forças da TPLF foram também repelidas pelo exército federal em Afar — estado vizinho onde tinham avançado profundamente logo no início das hostilidades no norte do país.
A Acled, ONG especializada na análise de conflitos, também indica que as tropas etíopes, apoiadas pelas TPF, "recuperaram o controlo" de territórios que tinham sido anteriormente tomados pela TPLF em Afar.
O projecto Critical Threats, uma iniciativa do centro de estudos norte-americano AEI especializado em conflitos, afirmou hoje que o exército federal etíope tinha "repelido" largamente as forças adversárias e avançava agora "ao longo de três eixos em direção a (...) Mekele, a capital regional de Tigray".
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou hoje para a escalada da violência no Corno da África, após o aumento das tensões entre a Etiópia e a Eritreia, e pediu moderação e diálogo.
"Estamos preocupados com o aumento das tensões entre os países do Corno de África numa altura em que a unidade, o diálogo e a cooperação são tão urgentemente necessários para apoiar a paz e a estabilidade na região", disse o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, em conferência de imprensa.
Após anos de relações tensas, a Etiópia anunciou na quinta-feira o encerramento da sua embaixada na Eritreia e a expulsão de dez diplomatas daquele país, o que foi seguido por um anúncio da Eritreia sobre o rompimento completo das relações.
A relação entre os dois países tem passado por vários altos e baixos desde que a Eritreia, um dos regimes mais fechados e repressivos do mundo e que é conhecido como a "Coreia do Norte de África", se tornou independente da Etiópia em 1993.
Após um acordo de paz em 2018 e um pacto para lutar juntos na guerra que eclodiu em 2020 contra a Frente Popular para a Libertação de Tigray (TPLF), partido governante da região e força dominante na política etíope desde 1991, as relações deterioraram-se nos últimos anos.
Primeiro em 2023, quando o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, tentou recuperar o acesso do seu país ao Mar Vermelho, e, mais tarde, depois de acusar a Eritreia de interferir nos seus assuntos internos ao apoiar grupos rebeldes e de oposição, apesar da rejeição do Presidente, Isaias Afwerki.
As tensões aumentaram até ao colapso diplomático desta semana, que ocorreu em plena intensificação dos combates na Etiópia, no norte do país, após a TPLF ter anunciado uma "guerra defensiva" contra o Governo federal na semana passada.
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