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EUA deixam "todas as opções" após resolução da OEA sobre a Nicarágua

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EUA deixam "todas as opções" após resolução da OEA sobre a Nicarágua (Foto: Reprodução)

Numa conferência de imprensa após a reunião extraordinária de ministros dos Negócios Estrangeiros da OEA, o subsecretário de Estado dos Estados Unidos para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Juan Pablo Segura, explicou que a resolução propõe reunirem-se novamente em noventa dias, depois do trabalho da delegação encarregada de acompanhar a situação, e que o seu país mantém "todas as opções sobre a mesa" para exigir responsabilidades a Manágua (capital da Nicarágua.

 

Juan Pablo Segura sublinhou que é evidente que Ortega "não tem vontade de negociar", dando como exemplo a sua decisão de rejeitar a embaixadora norte-americana Natasha Franceschi, uma diplomata de carreira que tinha sido nomeada pelo presidente Donald Trump.

Na opinião de Segura, essa decisão demonstra que Managua "não quer ter um diálogo sério" e contrasta com o esforço de Washington por "manter um canal diplomático profissional com o país".

O texto, aprovado por unanimidade na OEA, também apela a que se reponha a separação de poderes, divulgue o paradeiro dos desaparecidos e devolva a nacionalidade às pessoas que foram privadas dela, mas não inclui sanções concretas ao Governo de Ortega e à sua esposa, Rosario Murillo.

A OEA tinha convocado uma reunião extraordinária de ministros dos Negócios Estrangeiros, mas apenas sete dos 34 Estados membros enviaram os seus ministros: Guatemala, Paraguai, Jamaica, Peru, República Dominicana, Santa Lúcia e Haiti. Os restantes enviaram delegados de nível inferior.

A resolução, impulsionada pelos Estados Unidos, Argentina, Colômbia, Paraguai e Peru, insta as autoridades nicaraguenses a estabelecer as condições para "a realização de eleições livres, justas e inclusivas".

Segura foi questionado sobre se a Administração Trump poderia evitar a deportação de oito nicaraguenses detidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), mas este remeteu a questão para aquela agência e ao Departamento de Segurança Interna, apontando que o caso não competia ao Departamento de Estado.

Segundo a organização internacional Human Rights Watch (HRW), sete dos oito detidos m risco de deportação fazem parte dos 222 presos políticos que o Governo de Ortega e Murillo expulsou para os Estados Unidos em fevereiro de 2023, após os declarar "traidores" e lhes retirar a nacionalidade.

O caso acontece num contexto de aumento das deportações de nicaraguenses nos Estados Unidos. De acordo com uma análise da HRW de dados do ICE, mais de 6.300 cidadãos nicaraguenses foram deportados para o seu país entre janeiro e julho deste ano, quase o dobro do mesmo período de 2025, enquanto mais de 1.100 foram enviados para países terceiros desde janeiro de 2025.

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