Dois palestinianos mortos em dois dias em incidentes na Cisjordânia
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Estes episódios de violência ocorrem numa altura em que Israel enfrenta crescentes críticas internacionais sobre a escalada da violência cometida pelos colonos, um fenómeno que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu desvalorizou na véspera das eleições de 27 de outubro.
Os palestinianos de Kobar, perto de Ramallah, tentaram hoje romper uma barreira recentemente instalada pelos colonos para os confinar na sua aldeia, uma tática cada vez mais frequente nos territórios ocupados, noticiou a agência France-Presse (AFP).
"Quando os jovens palestinianos tentaram abri-la, os colonos atacaram-nos", contou à AFP o presidente da Câmara de Kobar, Mounir Badwan.
"O exército chegou e começou a disparar munições reais", acrescentou.
Um jovem de 19 anos foi atingido pelos disparos, informou ainda o autarca.
"Deixaram-no caído no chão, a perder sangue, e impediram as equipas médicas de chegar até ele", acusou.
O Crescente Vermelho Palestiniano confirmou que as forças israelitas impediram o acesso da organização a uma pessoa ferida em Kobar.
O organismo da Autoridade Palestiniana responsável pela coordenação com Israel informou que a vítima, residente em Jerusalém Oriental, não resistiu aos ferimentos e que o seu corpo estava a ser "retido pelas autoridades israelitas".
O exército israelita, contactado pela AFP para apresentar a sua versão dos factos, declarou estar a verificar as informações.
Na quinta-feira, o Ministério da Saúde palestiniano anunciou que um homem de 51 anos tinha sido morto a tiro por colonos em Yasuf, a norte de Ramallah.
O exército israelita declarou ter ripostado depois de um israelita ter ficado ferido, atingido por uma pedra lançada pelos palestinianos, o que levou os soldados a abrir fogo.
Segundo o mais recente relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), em que se inclui a agência da ONU para os refugiados palestinianos, entre janeiro de 2023 e agosto de 2026 ocorreram na Cisjordânia pelo menos 6.190 ataques de colonos que provocaram vítimas ou danos materiais.
Nesse período, 72 palestinianos morreram e 5.728 ficaram feridos às mãos das forças israelitas ou dos colonos.
Pelo menos 6.500 palestinianos foram deslocados das suas casas devido à ação dos colonos e às restrições de acesso - 49 comunidades foram totalmente deslocadas e 83 parcialmente -, tendo sido destruídas 88 mil árvores e danificados mais de 3.100 veículos.
Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967, na sequência da Guerra dos Seis Dias, mantendo também a anexação de Jerusalém Oriental, não reconhecidas pela comunidade internacional.
Lado a lado com cerca de três milhões de palestinianos, mais de 500 mil israelitas vivem atualmente em colonatos na Cisjordânia, considerados ilegais pelas Nações Unidas à luz do direito internacional.
A política de colonização tem sido mantida por sucessivos governos israelitas desde 1967, mas intensificou-se após a formação do atual executivo liderado por Benjamin Netanyahu, no final de 2022, e ganhou novo impulso na sequência do ataque do movimento islamita palestiniano Hamas, em 07 de outubro de 2023.
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