Dezenas protestam no Egito para exigir libertação de seis jornalistas
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De acordo com a AFP, as autoridades egípcias confirmaram na quinta-feira que detiveram os seis jornalistas que compõem a equipa editorial da plataforma de investigação de verificação de factos Matsadaash.
A detenção foi considerada por várias organizações não-governamentais como o ataque mais grave à comunicação social em vários anos.
A assembleia geral do Sindicato dos Jornalistas Egípcios reuniu-se em sessão permanente e votou a continuação do protesto, que está a decorrer em frente à sua sede, até segunda-feira, e o conselho do sindicato reunir-se-á depois para decidir os próximos passos do movimento.
"O perigo não se limita a estes jornalistas. Diz respeito a todos os jornalistas independentes", disse à AFP o jornalista Mostafa Bassiouny, que esteve presente no protesto, acrescentando que "a já muito limitada margem de manobra do jornalismo independente está verdadeiramente ameaçada".
As autoridades detiveram os seis jornalistas em várias regiões egípcias entre segunda e quarta-feira, de acordo com organizações de defesa dos direitos humanos e a direção do Matsadaash.
Advogados e ONG afirmam que foram detidos sem que o seu paradeiro fosse comunicado de imediato às suas famílias ou representantes legais.
Mais de 80 organizações regionais e internacionais, incluindo a Human Rights Watch (HRW), os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condenaram a detenção dos jornalistas e exigiram a sua libertação imediata.
"O desmantelamento de uma redação inteira em questão de horas, sem aviso prévio ou motivo válido, envia uma mensagem alarmante a todos os jornalistas que trabalham no Egito", disse Bassam Khawaja, vice-diretor da divisão do Médio Oriente e Norte de África da HRW.
O Ministério do Interior citou "disseminação de desinformação" financiada a partir do estrangeiro e ligações entre os seis jornalistas e a Irmandade Muçulmana, uma organização proibida no país, tendo sido instaurados processos legais contra eles.
O Matsadaash, cujo nome significa "Não acredites nisso" em árabe, rejeitou estas acusações.
As organizações de defesa dos direitos humanos acusam o Egito de manter um grande número de dissidentes e prisioneiros de consciência. As autoridades negam-no, afirmando que estes detidos se enquadram na legislação criminal.
De acordo com a EIPR (Iniciativa Egípcia para os Direitos Pessoais), o número total de jornalistas detidos no Egito em consequência da sua profissão atingiu os 26.
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