Mais previsões: Meteorologia 25 dias

PUBLICIDADE

Cerca de 1.500 pessoas repatriadas da Malásia para Myanmar

...


                    Cerca de 1.500 pessoas repatriadas da Malásia para Myanmar
Cerca de 1.500 pessoas repatriadas da Malásia para Myanmar (Foto: Reprodução)

Três embarcações que transportavam os deslocados atracaram na base naval birmanesa de Thanlyin pouco antes das 07:30 (02:00 em Lisboa), notou um responsável da Marinha, que preferiu não ser identificado por não estar autorizado a falar com a imprensa.

 

Este grupo de 1.476 pessoas faz parte de um total de 5.000 birmaneses que, de acordo com Kuala Lumpur, aceitaram um "repatriamento voluntário" a partir de centros de detenção, numa altura em que a Malásia assiste a um aumento da hostilidade em relação aos exilados.

Centenas de pessoas reuniram-se ao amanhecer para ir buscar os familiares perto da base naval, com carros, autocarros e táxis já prontos para os levar, constataram jornalistas da agência de notícias France-Presse (AFP).

Kyaw Myint, de 55 anos, declarou à AFP ter vindo buscar os três netos, detidos na Malásia há um ano e meio. Teme agora que sejam recrutados à força, "não só pelo exército, mas também por grupos armados étnicos".

O grupo é composto por 27 crianças, 79 mulheres e 1.370 homens, de acordo com a imprensa malaia.

As associações de defesa dos direitos humanos salientam que as más condições de detenção dos birmaneses em questão podem tê-los levado a aceitar o programa de repatriamento.

Insistem também no perigo que representa um regresso a Myanmar, devastado pela guerra civil desde o golpe de Estado militar de 2021.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) manifestou-se preocupado com este regresso, acrescentando que "nos termos do direito internacional, ninguém deve ser repatriado para um país onde corra o risco de sofrer perseguições, tortura, danos graves ou outras ameaças à sua vida, liberdade e segurança".

As autoridades malaias não especificaram quantos rohingya se encontravam entre as pessoas repatriadas. No entanto, esta minoria muçulmana constitui a maioria dos refugiados e requerentes de asilo birmaneses na Malásia, de acordo com a ONU.

Centenas de milhares de rohingya fugiram de Myanmar após uma violenta operação militar lançada em 2017, que é objeto de um processo por genocídio no Tribunal Internacional de Justiça.

Leia Também: ONU reiterou preocupações sobre regresso de refugiados de Myanmar