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Zeferino Coelho homenageado com prémio José Pinho no Folio

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                    Zeferino Coelho homenageado com prémio José Pinho no Folio
Zeferino Coelho homenageado com prémio José Pinho no Folio (Foto: Reprodução)

O editor Zeferino Coelho foi hoje homenageado no Folio com a primeira edição do prémio "José Pinho", numa cerimónia em que acabou a citar outro José, o Nobel português Saramago.

 

"Já estou numa altura da vida em que olho mais para trás do que para a frente", afirmou Zeferino Coelho depois de receber o galardão José Pinho, criado pela Câmara de Óbidos para homenagear figuras da cultura ligadas à literatura.

"Não vou fazer muito mais coisas, mas o que fiz está feito", afirmou o editor, que partilhou com o público do Fólio histórias que o ligam aos muito escritores que editou ao longo da vida, num homenagem em que acabou a citar o Nobel da literatura, que editou ao longo durante toda a sua carreira.

"Como dizia José Saramago:'gosto de olhar para trás, contar os dedos e descobrir a mão cheia'".

Cheia foi a homenagem que dezenas de escritores, editados por Zeferino Coelho, fizeram questão de lhe prestar na entrega do galardão que reconhece "uma vida dedicada aos livros e por tudo aquilo que essa dedicação tornou possível na vida de tantos outros", afirmou o presidente da Câmara de Óbidos, Filipe Daniel.

Ao atribuir pela primeira vez este prémio, "começamos também a escrever a sua história", disse o autarca, sublinhando que "o nome de Zeferino Coelho dá a esse início uma referência de exigência, de seriedade e de compromisso com a literatura".

O autarca falava depois de a administradora executiva da Leya, Ana Rita Bessa, ter destacado o "sentido de dever, o aturado labor, o sentido do humor, a inesgotável curiosidade, o pragmatismo, o sonho, a sabedoria, o respeito e uma força centrípeta à vida" que Zeferino Coelho revela, " mesmo, ou sobretudo na fragilidade".

O editor que "chega à Leya sempre de fato, muitas vezes de boina basca, invariavelmente com um jornal em papel", tem nu currículo "50 anos de uma vida entregue e fecunda, dedicada à densidade de criar", com mais de dois mil livros editados e "milhares e milhares de leitores numa conta que é maravilhosamente impossível de completar".

Zeferino, que um dia disse que o "editor tem sempre medo de deixar passar ao lado uma obra-prima", viu hoje reconhecido um percurso em que, escritores e leitores atestaram que, no seu caso, não houve obras primas a passar-lhe ao lado, mas várias a passarem-lhe pelas mãos.

Zeferino Coelho nasceu em Paredes, em 1945.

Começou a trabalhar como editor em 1969 na Editorial Inova, onde esteve até ao ano de 1971.

Em 1977, entrou para a Editorial Caminho, onde se mantém desde então.

Foi editor do Nobel José Saramago e sete vencedores do Prémio Camões: os cabo-verdianos Arménio Vieira e Germano de Almeida, José Craveirinha e Mia Couto, de Moçambique, Luandino Vieira, de Angola e, de Portugal, José Saramago e Sophia de Mello Breyner Andresen.

Em 2019 foi condecorado pelo anterior Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

O Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos, cumpre hoje o último de 11 dias de programação que trouxeram à vila 450 autores que participam em cerca de 300 iniciativas.

Na sua 11.ª edição o festival teve como tema "Para além da pele", mote para entre conversas, oficinas, debates, apresentações, exposições e lançamentos de livros, com a participação de autores portugueses e oriundos de países como França, Espanha, México, Cuba, Colômbia, Brasil, Irão, Rússia, Ucrânia, Reino Unido, EUA, Índia, Noruega, Canadá, Argentina, Itália, Argélia e Reino Unido.

O Folio realiza-se desde 2015, ano em que a vila do distrito de Leiria passou a estar integrada na Rede de Cidades Criativas da UNESCO, como Cidade da Literatura.

Organizado pelo município de Óbidos e pela empresa municipal Óbidos Criativa, o festival tem como parceiros a Fundação INATEL e a Livraria Ler Devagar.

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Lusa | 20:53 - 15/10/2026