"Vivi em casas miseráveis. Fui feliz, mas passei frio, entrava chuva"
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Mafalda Luís de Castro revelou anteriormente que conseguiu comprara uma casa, mas agora perante as manifestações pela habitação a atriz resolveu falar abertamente sobre este processo.
Numa publicação que fez na sua página de Instagram esta segunda-feira, dia 2 de novembro, a atriz começou precisamente por destacar que "conseguiu comprar uma casa aos 37 anos, mas não era assim que imaginava a sua vida".
"Vivi em casas miseráveis. Onde fui feliz, construí memórias e vivi momentos importantes. Mas também casas onde passei frio, onde entrava chuva e onde as condições estavam longe daquilo a que qualquer pessoa deveria ter de se sujeitar para ter um teto", partilhou de seguida.
"Fui ficando. Adaptando-me. Fazendo o que conseguia para continuar a viver em Lisboa, a cidade onde nasci e cresci, onde tenho o meu trabalho e onde construí a minha vida. Até que se tornou cada vez mais difícil continuar", confessou.
"Consegui finalmente uma casa. Uma casa onde posso proporcionar melhores condições de vida a mim e aos meus animais. Onde não entre frio nem chuva. Onde possa, finalmente, viver sem ter de lidar com problemas que nunca deveriam ser considerados normais. Estou feliz! Muito feliz. Mas, para conseguir isso, tive de me afastar da cidade onde construí a minha vida. E, aos 37 anos, não era exatamente isto que tinha idealizado para mim", destacou de seguida.
"E não é só a distância. É o tempo que vou passar em transportes para continuar a trabalhar. São as horas que deixo de ter para descansar, para estar com os meus animais. Não queria ter de escolher entre uma casa em condições e a vida que construí. Queria poder continuar na cidade onde nasci e cresci sem que isso significasse aceitar condições de habitação duvidosas. Mas a realidade é que nem sempre podemos escolher onde vivemos. Vivemos onde conseguimos", lamentou.
"Sei que sou privilegiada por ter conseguido encontrar uma solução. Quase sinto culpa por ter encontrado uma saída quando tantas pessoas continuam sem conseguir pagar uma renda, por terem de abandonar a cidade onde construíram a sua vida ou por viverem em condições que ninguém deveria aceitar. É estranho sentir tanta felicidade por uma conquista que, no fundo, devia ser uma possibilidade acessível a todas/os. Não quero sentir culpa por estar melhor. Mas também não quero que estar melhor me faça esquecer quem continua a ficar para trás", desabafou.
"Conseguir uma casa resolveu uma parte importante da minha vida. E não é por eu já estar melhor que vou deixar de me preocupar com quem continua mal", fez ainda questão de realçar.
Mas não ficou por aqui. "Lisboa não pode tornar-se uma cidade onde só consegue viver quem tem dinheiro para acompanhar a especulação imobiliária. Uma cidade faz-se das suas pessoas. Quando essas pessoas são obrigadas a sair porque já não conseguem pagar para ficar, perdemos todas/os. Não podemos e não vamos aceitar isso."
"Estou feliz com a minha conquista mas a minha felicidade não vai transformar-se em conformismo. Quero poder voltar a viver onde nasci e cresci. E quero que todas/os tenham essa possibilidade. Habitação não pode ser um privilégio. É um direito", pode ler-se, por fim, entre as imagens que publicou para juntar às suas palavras.
Veja todas estas partilhas nas imagens que estão disponíveis na galeria.
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