UE anuncia 16 milhões de euros em assistência humanitária ao Myanmar
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A União Europeia atribuiu hoje 16 milhões de euros em assistência humanitária ao Myanmar e aos refugiados rohingya no Bangladesh, alvos de uma campanha de perseguição do exército birmanês classificada pela ONU como limpeza étnica.
Em comunicado, a Comissão Europeia refere que está a disponibilizar estas verbas perante uma "intensificação do conflito no Myanmar", que está a "agravar as necessidades da população e a provocar deslocações forçadas, tanto dentro do país como para além das fronteiras".
O executivo comunitário esclarece que os fundos destinados ao Myanmar (antiga Birmânia) vão "centrar-se na assistência alimentar, nos cuidados de saúde e na nutrição".
"Estas verbas visam sobretudo responder ao agravamento da crise alimentar, resultante do conflito e dos efeitos previstos do fenómeno climático Super El Niño, bem como ao impacto da subida dos preços dos combustíveis a nível mundial e das recentes inundações no país", indica a Comissão.
Já no que se refere às verbas para o Bangladesh, o executivo comunitário indica que serão prioritariamente destinadas "à segurança alimentar e aos cuidados de saúde, bem como a outros serviços de proteção destinados aos refugiados, que continuam a depender da ajuda humanitária para sobreviver".
"Os serviços prestados nos campos de refugiados estão sujeitos a uma pressão acrescida devido à chegada de novas pessoas provenientes de Myanmar", salienta a Comissão Europeia.
Estes 16 milhões hoje anunciados acrescem aos "mais de 50 milhões de euros disponibilizados em assistência humanitária desde janeiro de 2026 para responder à crise em Myanmar e ao seu impacto regional na Tailândia, Malásia, Indonésia e Índia", refere o executivo comunitário.
"Acresce ainda aos mais de 23 milhões de euros já atribuídos este ano em assistência humanitária ao Bangladesh", acrescenta a Comissão.
Mais de 154 mil rohingya fugiram para o Bangladesh desde o início de 2024, devido à violência exercida contra esta minoria muçulmana durante o conflito entre os rebeldes do Exército de Arakan e as forças birmanesas.
Esta perseguição junta-se à sofrida pela população rohingya durante a brutal campanha lançada pelo exército em agosto de 2017, que levou mais de 720.000 membros desta etnia a fugir também para o Bangladesh.
Segundo dados da ONU, mais de 1,2 milhões de refugiados rohingya estão em campos de refugiados localizados no território de Cox's Bazar, no Bangladesh — a maior rede de campos do mundo.
A campanha de repressão do exército de Myanmar contra esta minoria foi descrita pela ONU como uma limpeza étnica.
Myanmar, de maioria budista, não reconhece esta minoria muçulmana e impõe múltiplas restrições aos rohingyas, nomeadamente à liberdade de circulação.