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Toni faz 80 anos a falar do Benfica e não só: "Não chorem a minha morte"

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                    Toni faz 80 anos a falar do Benfica e não só:
Toni faz 80 anos a falar do Benfica e não só: "Não chorem a minha morte" (Foto: Reprodução)

Ela tem que chegar, mas não há que pensar na morte, Toni para o mundo do futebol, concedeu uma extensa entrevista ao jornal A Bola, esta quarta-feira, dia em que celebra o 80.º aniversário, onde passa 'a limpo' uma carreira passada, em grande parte, ao serviço do Benfica, na qualidade de jogador, treinador e até diretor desportivo.

 

O antigo internacional português não escondeu que, no Estádio da Luz, passou por "muitas alegrias, muitas tristezas, muito suor e muitas lágrimas pelo meio", numa "vida que foi vivida com muita intensidade, com muita paixão", depois de lá ter chegado, em 1968, proveniente da Académica, quando tinha apenas 22 anos de idade.

"Olhando para trás, há um orgulho muito grande em todo o trajeto porque se parte de alguém que vinha carregado de sonhos e que de repente vê o Everest pela frente. Quando tu chegas a um clube de uma dimensão universal, como era o Benfica, e com jogadores de classe mundial, tu sabes que para todos esses sonhos se transformarem em realidade, vai ser preciso muita resiliência, que é uma palavra de hoje", afirmou.

"Naquela altura era de muita vontade, muito querer, muita determinação e muito suor, para poder conseguir fazer um trajeto do qual me orgulho muito, mas contei com a ajuda dos companheiros, porque na vida não fazemos as coisas sozinhos", acrescentou.

"O meu desejo maior era poder fechar de novo o ciclo no Benfica, mas, os caminhos não se cruzaram"

A propósito do estatuto que alcançou, no plano desportivo, o agora dirigente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) fez uma confissão: "Nem eu sonhei que podia chegar tão longe como acabei por chegar. Tudo isso pode estar no teu imaginário, nos teus sonhos, mas... Não há vitórias individuais no futebol e elas são fruto do esforço de muita gente".

"Naquela altura estavam também a nascer o Nené, o Humberto, o Vítor Martins, o Shéu, que acabaram por fazer uma carreira brilhante dentro do Benfica. E todos eles alimentavam os mesmos sonhos. Partilhámos todos esses sonhos. Depois, chegar a preencher uma carreira onde depois, além de jogador, acabo por ser treinador adjunto e depois chegar a treinador principal, tudo isso é qualquer coisa…", refletiu.

Ainda assim, assumiu: "Eu cumpri, dentro do Benfica, um ciclo que começou como jogador, passou como treinador e depois dirigente. E se te disser que talvez o meu desejo maior, mesmo já quando os 80 anos estavam à porta, era poder fechar de novo o ciclo no Benfica, mas, os caminhos não se cruzaram".

"Mas, sem mágoas, porque as mágoas azedam a vida. Então, acabei por fechar um ciclo no sítio onde hoje estou, o que é um orgulho muito grande, onde também fui jogador, fui treinador, e acabei por fazer parte, como membro da direção [da FPF]", complementou.

"Não chorem a minha morte, porque a minha viagem tem sido fantástica"

A terminar, Toni recordou Sven-Goran Eriksson, seu antigo treinador, no Benfica: "É alguém que deixou uma marca em todos os jogadores do Benfica, da sua época, e em todos os desportistas portugueses, porque ele soube ganhar o respeito e a admiração de todos. Ele deixou em todos um legado que nos deixa a todos orgulhosos de o ter tido como amigo e como treinador".

"Aliás, ele tem um momento em que ele anunciou a sua morte e tem uma frase que nunca vou esquecer: 'Não chorem pela minha morte, porque a minha viagem foi fantástica. Vivam a vida'. E eu posso dizer-te também: não chorem a minha morte, porque a minha viagem tem sido fantástica dentro do futebol e fora dele. Vivam a vida", apontou.

"Eu não tenho medo de ter medo. Eu penso que foi uma frase que já te disse, na outra entrevista dos 75 anos. Não tenho medo de ter medo, há que envelhecer de uma forma feliz. Eu estou a sentir que estou com saúde. Com alguns percalços, e alguns até que já fui apanhado na curva, mas que deu para fintar. Mas, tenho a família, os amigos e depois o futebol, ao qual ainda continuo ligado", prosseguiu.

"Portanto, eu sinto que sou feliz. Estou a caminhar na idade, estou a envelhecer, mas não estou com medo que a morte chegue. Ela tem que chegar, mas não há que pensar na morte. Alguém que há pouco li dizia, numa reflexão, 'sem tempo para perder tempo'. A senhora vai fazer 91, eu 80. Sem tempo para perder tempo. Há que desfrutar de cada dia como fosse o último dia", concluiu.

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