Sindicato dos Jogadores quer medidas mais graves para ódio online
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O presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol defendeu hoje mais educação, prevenção, medidas mais gravosas e aplicação da justiça no caso dos insultos, mensagens de ódio e ameaças nas redes sociais.
"Tem de haver uma conciliação ente educação, prevenção e medidas mais graves e a aplicação da justiça célere e justa que vai permitir dar um salto qualitativo" no que diz respeito aos insultos e mensagens de ódio nas redes sociais, defendeu Joaquim Evangelista.
E acrescentou: "Acho que é por aí que nós podemos fazer a diferença".
Este responsável indicou que "não é só no desporto, mas é também uma questão social, no desporto, os principais visados são os atletas e os árbitros".
Evangelista falava no painel sobre "Redes sociais e discurso de ódio" no decorrer da quarta edição do S4 - Congresso Internacional Safety, Security, Service at Sports Events (proteção, segurança, e acolhimento em eventos desportivos, tradução livre), que decorre em Viseu até quarta-feira, organizado pela Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência o Desporto (APCVD).
Este painel contou com o presidente da Comissão Espanhola contra a Violência, o Racismo, a Xenofobia, e a Intolerância no Desporto, Raúl Porras, e o ex-futebolista internacional português Maniche.
O antigo atleta realçou que "há casos que são ameaças e que impedem o atleta de entrar da mesma forma no jogo seguinte, não existe a mesma condição mental", para além do uso da imagem em frases que nunca disse, como relatou que lhe aconteceu.
"Além das mensagens de ódio, que nenhuma pessoa deveria ouvir, há as ameaças como, e passo a citar, 'sei onde estudam os teus filhos'. Isto para dizer que os jogadores também são pessoas e têm família que têm direito a viver em segurança", defendeu Maniche.
O presidente da comissão espanhola, Raúl Porras, realçou "a ligação que existe entre o 'offline' e o 'online', porque o que acontece em 'off' rapidamente acaba amplificado numa rede social 'on' onde proliferam as mensagens de ódio".
"Ou seja, tu, que só estás online estás a destruir o jogo limpo que acontece offline", vincou.
Raúl Porras defendeu ainda a "denúncia, que é crucial, para haver uma ação judicial".
Joaquim Evangelista lamentou, no entanto, a "ausência de ferramentas para o combate" a estes ataques online, apesar de ter destacado o protocolo assinado entre entidades do futebol e as plataformas das redes sociais e que permitiu, durante o Mundial de 2026 de futebol, eliminar "milhares de mensagens quase em tempo real".
Neste sentido, sugeriu ao governo, "e quem tutela o desporto, para olhar para esta matéria e criar mecanismos que a evitem" e isso pode passar, "eventualmente, por fazer o que fez a FIFA, negociando com as plataformas mecanismos para, em tempo real, retirar e sinalizar os abusos" que "têm escalado de forma muito violenta".
Na sua intervenção, Joaquim Evangelista apresentou ainda dados de um estudo feito entre 09 de junho e 20 de julho, no decorrer do Mundial de 2026 de futebol, e que "não tem precedentes de monitorização".
Foi feita uma cobertura de 1.606 indivíduos: 1.248 jogadores, 188 treinadores e equipas técnicas, 170 árbitros e oficiais de jogo", numa monitorização de 3.207 contas em redes sociais como X, Instagram, Facebook e TikTok.
"O volume de abuso online continua extremamente elevado com 17,1 milhões de publicações e comentários analisados; 477 mil conteúdos sinalizados pela IA [inteligência artificial] para revisão, sendo 240.676 confirmados como abusivos", disse.
O estudo identificou 812 pessoas que foram diretamente alvo de abuso.
Dos principais abusos identificados, 43% foram generalizados, 12% foram de racismo, 9% de alegações de corrupção, 8% foram de violência e ameaças, 7% de xenefobia, 4% de homofobia e 3% de abuso sexual".
"Nota-chave: excluindo o abuso geral, as categorias mais preocupantes passam a ser racismo, violência, xenofobia e homofobia. O racismo continua a ser o principal problema estrutural, foi a segunda maior categoria de abuso", sublinhou.
Este responsável indicou que "um único jogador recebeu mais de 10.000 mensagens abusivas, sendo 40% racistas" e a França, Inglaterra e Equador estiveram entre os alvos mais frequentes de ataques racistas"
Joaquim Evangelista disse ainda que, ao abrigo de um protocolo existente, o sindicato disponibiliza "cerca de 400 profissionais para prestarem apoio psicológico aos atletas e nunca, como hoje, houve tanta procura de ajuda" por parte dos desportistas masculinos e femininos.
Aliás, as redes sociais e a escalada da violência existente nelas e as falsas mensagens que circulam online foi, durante o dia, alvo de citação dos intervenientes no congresso como um dos "grandes desafios atuais e de futuro no que diz respeito também à segurança nos eventos desportivos".