Sancho Gomes destaca resiliência dos luso-venezuelanos após sismo
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O secretário regional das Comunidades Madeirenses, Sancho Gomes, sublinhou hoje o espírito de resiliência dos luso-venezuelanos, que apesar de terem perdido familiares, amigos, negócios e casas, mantêm a "fé" e uma "grande esperança relativamente ao futuro".
"Encontrei uma comunidade que, apesar de estar ferida com os sismos, e a crise económica e social na Venezuela, está esperançosa e otimista. Nós vemos que as pessoas, apesar de algumas terem perdido familiares, amigos, os seus negócios, as suas casas, mantêm uma grande fé e uma grande esperança relativamente ao futuro", disse.
Sancho Gomes falava à Agência Lusa, após visitar durante dois dias algumas localidades de La Guaira, o estado mais afetado pelo duplo sismo de 24 de junho.
"Isto motiva-nos a continuar a trabalhar para estas pessoas, porque quando percebemos que aqueles que sofreram na pele esta tragédia, estão disponíveis para olhar em frente, para continuar as suas vidas, nós, autoridades e nós, Governo Regional, não podemos ficar parados nem de braços cruzados, porque o apoio e a solidariedade não se fazem com inércia, mas com medidas ativas, concretas", disse.
Sancho Gomes explicou que leva a certeza de La Guaira de que deverá manter-se o apoio a "esta comunidade, que, não raras vezes, apoiou a Madeira, a população da Madeira e o desenvolvimento da Madeira".
"Visitei imensos madeirenses afetados pelos sismos. Estive em casas que têm sido reabilitadas pela associação Regala una Sonrisa [Dê un sorriso], com o apoio financeiro que o governo regional concedeu a essa associação; estive com pessoas que foram reabilitadas, que receberam pequenos eletrodomésticos, que têm sido ajudadas com apoio médico e medicamentos", enumerou.
O representante regional das Comunidades revelou que esteve com duas pessoas que estiveram soterradas, que perderam as famílias, de quem guardou a "mensagem" de "dor, de sofrimento, mas também de esperança no futuro, de confiança e de otimismo".
"Percebemos que nós, os decisores políticos, nós que estamos, no centro da decisão política, não podemos nunca abandonar estas pessoas, nem o iremos fazer", garantiu.
"Gostava de deixar a mensagem de que a Madeira, o Governo Regional, a população da Madeira não os abandonou, esteve sempre ao lado deles e continuará ao lado deles nos próximos tempos, porque percebemos que a tragédia já aconteceu há alguns meses, mas as necessidades prolongam-se", disse.
Sancho Gomes participou este sábado numa jornada de atenção organizada pela Embaixada de Portugal em Caracas, em conjunto com a Universidade Central da Venezuela, a Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas e a Regala Una Sonrisa, que decorreu no Centro Luso-venezuelano de Cátia La Mar, e onde foi distribuída ajuda alimentar a dezenas de famílias, assim como materiais de construção civil facilitados pela RAM para a reabilitação de casas.
O duplo sismo de 24 de junho causou danos graves em infraestruturas, feridos e vítimas mortais em sete estados da Venezuela: Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o mais afetado.
Segundo o último balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6.509 pessoas morreram e 226.696 feridos foram assistidos nos hospitais venezuelanos depois dos sismos.
Entre as vítimas mortais, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.
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