Rei de Marrocos exige à nova primeira-ministra ação governamental "séria"
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O Rei de Marrocos pediu hoje à nova primeira-ministra marroquina que o novo executivo tenha uma formação e ação governamental "séria e responsável", tendo em conta a dimensão das questões nacionais, dos desafios e das expectativas nos diversos domínios.
Mohamed VI recebeu hoje Fatima Ezzahra El Mansouri, encarregada de formar governo desde 29 de setembro, a quem pediu que a próxima fase, já com o executivo completo, assente num "envolvimento abrangente" com as forças políticas da futura coligação, segundo um comunicado do Palácio Real, a que a agência Lusa teve acesso.
Fatima Ezzahra El Mansouri tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de chefe de Governo de Marrocos, depois de ter sido nomeada pelo Rei.
A nomeação ocorreu após a vitória do Partido da Autenticidade e Modernidade (PAM) nas eleições legislativas de 23 de setembro.
A formação de centro-direita, que integrava a coligação governamental cessante, conquistou 97 dos 395 lugares na Câmara dos Representantes, numa votação marcada por uma taxa de participação de 38%, a mais baixa em quase 20 anos.
Sem maioria absoluta, El Mansouri terá agora de negociar com outros partidos para formar uma coligação governamental para os próximos cinco anos, embora as grandes orientações dos setores estratégicos continuem a ser da competência do Rei.
A advogada, de 50 anos, aderiu ao PAM aquando da sua fundação, em 2008, pelo atual conselheiro do Rei, Fouad Ali El Himma. Próximo de Mohammed VI, este afastou-se do partido em 2011.
Nas listas desta formação política, El Mansouri fez história em Marraquexe ao tornar-se, com apenas 33 anos, a primeira mulher a assumir a presidência da câmara municipal da cidade turística, em 2009. Antes da nomeação, exercia um segundo mandato, iniciado em 2021.
A nova primeira-ministra marroquina foi também ministra da Habitação no Governo cessante de Aziz Akhannouch e foi também eleita deputada na votação de setembro.
As eleições de setembro decorreram num contexto de desconfiança em relação à classe política e de preocupação com o aumento do desemprego e das desigualdades, em particular entre os jovens.
A falta de perspetivas para uma parte da juventude marroquina voltou a estar em destaque após a chegada em massa de migrantes ao enclave espanhol de Ceuta, no final de julho.
El Mansouri terá de enfrentar problemas socioeconómicos persistentes, procurando simultaneamente restabelecer a confiança dos cidadãos na ação governativa.
Durante a campanha, o PAM comprometeu-se a alcançar um crescimento médio anual de 5%, manter a inflação nos 2%, de modo a preservar o poder de compra, e criar pelo menos um milhão de empregos durante o mandato.
O Reagrupamento Nacional dos Independentes (RNI), partido de Aziz Akhannouch, ficou em segundo lugar, com 66 lugares, perdendo cerca de 30 em relação às últimas eleições legislativas, em 2021. O Partido da Istiqlal, também integrante da coligação cessante, ficou em terceiro lugar, com 65 lugares.
Na oposição, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (PJD, islamista), que fez campanha, nomeadamente, contra a corrupção, quadruplicou a sua representação parlamentar, conquistando 54 lugares, contra os 13 obtidos nas últimas eleições legislativas.
No dia seguinte às eleições, o secretário-geral do partido, Abdelilah Benkirane, afastou a possibilidade de integrar a maioria governamental.
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