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Realizador denuncia aumento da violência por colonos na Cisjordânia

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                    Realizador denuncia aumento da violência por colonos na Cisjordânia
Realizador denuncia aumento da violência por colonos na Cisjordânia (Foto: Reprodução)

O realizador palestiniano, Basel Adra, denunciou que a violência contra palestinianos na Cisjordânia tem aumentado sem precedentes, ainda mais do que aquela que o seu documentário vencedor de um Óscar retratava entre 2019 e 2023.

 

"Hoje em dia, nem sequer é comparável ao 'No Other Land'", disse Adra, referindo-se ao seu filme, durante uma intervenção num painel no festival de cinema DocLisboa.

Na Cisjordânia, recordou, agora é época da apanha da azeitona, mas os olivais foram transformados numa "zona de guerra".

Os colonos "estão mesmo a travar uma guerra contra os agricultores e contra as oliveiras", continuou, acrescentando que também atacam jornalistas, ativistas e pessoas de outros países que viajaram até à Cisjordânia para auxiliar os palestinianos a fazer a apanha em segurança.

"Foram mortos palestinianos enquanto colhiam as suas oliveiras. Trata-se de milhares de oliveiras e algumas delas estão naquelas terras há milhares de anos — oliveiras muito, muito antigas —, ou foram queimadas pelos colonos para que estes pudessem, pela primeira vez, transformar em azeite a quantidade de azeitonas roubadas", denunciou Basel Adra.

O realizador palestiniano acusou ainda os colonos de esperarem que as famílias terminem a apanha da azeitona para depois então atacar e roubar os baldes.

"Vão ter com as famílias que passaram horas a colher azeitonas, atacam-nas e levam-lhes os baldes. De noite ou de dia, acompanhados pelos soldados [israelitas] para roubar azeitonas", adiantou, acrescentando que, ainda este ano, um grupo de colonos "chegou ao ponto de abrir uma fábrica para as transformar em azeite".

"E estão a vendê-lo em Telavive", acrescentou.

Basel Adra referiu ainda que, após o ataque cometido na sexta-feira por dois homens armados — que mataram dois soldados israelitas perto de Hebron, no sul da Cisjordânia ocupada, antes de serem abatidos —, as Forças Armadas israelitas forçaram a deslocação de pelo menos 250 pessoas.

"Há uma guerra em Hebron. Estão a levar a cabo uma campanha de grande envergadura", argumentou.

No sábado, a Autoridade Palestiniana exigiu uma "ação internacional urgente" perante os "crimes" de Israel na Cisjordânia ocupada, nomeadamente as deslocações forçadas de habitantes de Hebron.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse que reserva uma "grande surpresa" para a Autoridade Palestiniana, após ordenar uma operação militar de grande escala na Cisjordânia ocupada, na sequência do ataque.

Na noite de sexta-feira, no canal I24 — no meio da campanha para as eleições legislativas de terça-feira —, o primeiro-ministro evitou responder a uma pergunta sobre uma possível intenção de desmantelar a Autoridade Palestiniana, declarando-se a favor da "astúcia e da surpresa".

Criada pelos Acordos de Oslo na década de 1990, a Autoridade Palestiniana administra parcialmente o território palestiniano ocupado por Israel desde 1967 e permanece como a interlocutora oficial da comunidade internacional, mesmo após a tomada de poder pelo Hamas em Gaza, em 2007.

Os colonatos israelitas são considerados ilegais à luz do Direito internacional.

A Cisjordânia ocupada tem registado uma escalada da violência dos colonos após os ataques do Hamas em solo israelita, a 7 de outubro de 2023, que deram início à guerra em Gaza.

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