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PSP faz terceira carga policial no Porto com cães e bastonadas

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                    PSP faz terceira carga policial no Porto com cães e bastonadas
PSP faz terceira carga policial no Porto com cães e bastonadas (Foto: Reprodução)

A Unidade Especial de Polícia da PSP carregou hoje sobre os manifestantes na Praça D. Pedro I, no Porto, com recurso a bastões e a cães, empurrando os presentes para a Câmara Municipal.

 

A intervenção policial arrancou pelas 04:32, já depois da unidade cinotécnica ter tirado vários cães de uma carrinha, e entrou por um dos flancos, como há uma semana, para chegar às tendas, entretanto destruídas ou retiradas, com trabalho também de equipas de limpeza da Câmara do Porto.

A ação durou cerca de 20 minutos e incluiu, também, uma incursão pelo meio da praça, com um ataque ao cordão de manifestantes presentes.

Na Câmara do Porto, a polícia voltou a colocar-se numa das laterais face à Câmara do Porto, após escaramuças com dois homens que, denunciaram alguns manifestantes, agrediram as pessoas que para ali fugiram.

A polícia recorreu aos bastões e escudos para dispersar os manifestantes, tendo a Lusa presenciado, no local, várias pessoas agredidas com este instrumento e pelo menos um manifestante que sangrava da cabeça, além de várias pessoas caídas e a clamar por assistência médica.

Os manifestantes resistiram, gritando que a ação era pacífica, à medida que a força policial avançava com a intervenção, até os empurrar até à Rua Dr. Magalhães Lemos, de onde se deslocaram escassos metros até à Avenida dos Aliados e à Câmara do Porto.

Após horas de impasse, e três avisos do subintendente Eduardo Silva entre as 03:49 e as 04:10, pelas 04:32 a PSP começou a intervenção, visando desmontar a Acampada e dispersar os presentes.

Antes, a PSP tinha recorrido a cães, pelas 04:20, altura em que se ouvia gritos de "cheira a ditadura", a "Grândola, Vila Morena" e cânticos de "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais".

No cordão de segurança estavam mais de 200 manifestantes, além de mais de uma centena de pessoas que observavam nas laterais da praça.

Esta é a terceira carga policial sobre os manifestantes neste local desde 10 de outubro, tendo cada uma causado dezenas de feridos.

Ao longo da noite, a PSP e os manifestantes dialogaram sobre a permanência na praça, com a polícia a apelar a que desmontassem as tendas, e só assim podendo pernoitar. Os presentes rejeitaram a desmontagem das tendas.

Pelas 03:50, um subintendente da PSP conversou com o advogado do movimento, Tiago Machado, sobre os fundamentos legais da intervenção.

Antes, pelas 00:50 a PSP tinha explicado aos manifestantes que montaram cerca de 40 tendas na Praça D. João I que poderiam manter-se no local, desde que desmontassem a acampada, o que o movimento rejeitou após votação.

A comunicação da PSP decorreu minutos depois de os manifestantes terem prometido "resistência pacífica", tendo a organização apelado à formação de um cordão de segurança em caso de intervenção policial.

Os manifestantes exigem a reversão da nova Lei do Arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

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