Protestos voltam às ruas a 2 semanas das intercalares: "Votar é antídoto"
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Milhões de pessoas saíram hoje às ruas nos Estados Unidos num novo "Dia Sem Reis" para incentivar ao voto nas eleições intercalares, que a 03 de novembro vão decidir se os republicanos mantêm ou perdem o controlo do Congresso.
"Estamos a lutar pela democracia", disse à agência Lusa Fran Powell, uma das manifestantes que se juntou ao protesto em Burbank, Los Angeles, um dos vários locais no sul da Califórnia onde foi organizado o dia de ação "No Kings: Vote Early" (ou "Sem Reis: Vote Antecipadamente" na tradução em português).
"Os Estados Unidos (EUA) abdicaram de muita coisa que temos de recuperar", considerou a eleitora, para quem a democracia "está à beira do colapso" e votar "é o antídoto".
Powell mostrou-se esperançosa no resultado das intercalares e na possibilidade de os democratas reconquistarem a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado (câmara baixa e câmara alta do Congresso, respetivamente).
"Os republicanos não estão a fazer nada e têm uma fé cega em Trump", acusou, numa referência ao Presidente norte-americano, Donald Trump.
"Precisamos dos mecanismos de controlo e equilíbrio que é suposto o Congresso exercer", defendeu.
Em todo o país, houve mais de 3.000 ações lideradas por uma coligação que inclui os grupos 50501 e Indivisible, espalhadas por capitais, cidades e povoações, tendo em vista uma maior participação nas intercalares, que tradicionalmente registam maior abstenção que as presidenciais.
Embora este "Dia Sem Reis" tenha sido organizado com o objetivo bipartidário de incentivar ao voto, a maioria dos manifestantes empunhava cartazes contra a administração do Presidente Donald Trump e dava voz ao seu descontentamento.
Foi o que fez Buzz Brown, um eleitor sénior que compareceu à manifestação para defender a democracia e o direito à saúde, mas não só.
"Esta administração é muito boa a evitar o cumprimento da lei", disse à Lusa, e prosseguiu: "Não me parece que possamos continuar a dizer que isto é uma democracia".
Brown, cujo pai lutou na Segunda Guerra Mundial, opinou que um dos maiores problemas da administração é a corrupção à vista de todos e a conivência do Partido Republicano.
"Vejo uma tentativa de desmantelar a democracia que tivemos", afirmou.
"É tudo pelo dinheiro e poder", continuou, lamentando que os democratas não estejam tão bem organizados eleitoralmente em comparação com os opositores.
"Os republicanos são bons a ganhar eleições, têm uma máquina bem oleada", referiu Brown.
No entanto, as últimas sondagens indicam que é o Partido Democrata que está melhor posicionado para vencer as intercalares, podendo mesmo conseguir recuperar o controlo do Senado, o que há alguns meses era considerado muito difícil.
O nível de impopularidade do Presidente Trump está em máximos históricos, com apenas 32% de aprovação.
Nolan Southerland, candidato de 45 anos a um assento no conselho da cidade de Burbank, considerou que o voto fará a diferença e os eleitores devem ter um plano para garantir que são ouvidos.
"Temos de exigir mudanças nas nossas comunidades locais", disse à Lusa.
"Temos de resistir e opor-nos ao Governo de Trump", reforçou.
Southerland afirmou ter esperança, apesar de todos os problemas que os EUA e o mundo enfrentam.
"Acho que muitas pessoas abriram os olhos para a situação e estão mais envolvidas nas suas comunidades locais", indicou.
"A nível nacional, temos um movimento positivo no sentido de uma direção mais progressista", destacou.
O candidato considerou que, se houver um número suficiente de representantes progressistas no Congresso, Trump já não terá cheque em branco para fazer o que quiser.
"Não temos tido controlo. O Partido Republicano alinhou-se todo com Trump, até mesmo as pessoas que se opunham veementemente a ele há alguns anos", sublinhou.
Entre tambores, pandeiretas e cânticos, o tema da manifestação em Burbank foi a defesa do voto e da democracia, liberdade de expressão e rejeição de líderes autoritários.
Nancy Winogradow apontou para um sentimento de insegurança e mostrou-se estupefacta pela rapidez com que o sistema, na sua opinião, se desmoronou.
"A corrupção e manipulação são tão grandes. Parece inverosímil que tenha acontecido tão rapidamente", disse à Lusa.
"Vai demorar muito tempo a desfazer esta destruição que aconteceu, aparentemente, da noite para o dia", afirmou.
A expectativa da habitante de Burbank é que uma vitória dos democratas nas intercalares sirva, pelo menos, para evitar que aconteçam coisas ainda piores, numa altura em que há dificuldades para pagar as contas, abastecer o carro e ir ao médico.
No entanto, o eleitor Eric (que não quis dar sobrenome) colocou a hipótese de o atual líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes, Mike Johnson, se recusar a sentar os congressistas se os democratas vencerem.
"Já o fez antes", apontou, referindo-se à instância em que o 'speaker' se recusou a confirmar a congressista Adelita Grijalva durante 50 dias, quando esta ganhou uma eleição especial para o 7º distrito do Arizona.
"Se houver uma onda azul, ele pode cruzar os braços e dizer que temos de avaliar os congressistas", sugeriu Eric.
"Vamos ver muitas coisas que nunca aconteceram. Estamos a ser dominados por um autocrata, por um ditador, e as pessoas estão a submeter-se", frisou.
Washington D.C., Nova Iorque, Los Angeles, Chicago e Boston tiveram algumas das maiores multidões desta jornada de protesto e de mobilização eleitoral.
Esta foi a quarta iniciativa do movimento "No Kings" desde a primeira, a 14 de junho de 2025.
Além do Congresso - no qual está em jogo a renovação da totalidade da Câmara dos Representantes e um terço do Senado -, as eleições de 03 de novembro vão determinar vários outros tipos de corrida, desde medidas legislativas a governadores e 'mayors', o equivalente a presidente da câmara.
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