Proteína de inseto em Portugal: É farinha num "pão que sabe a pão"
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Os insetos comestíveis já não se servem no prato, mas são farinha num "pão que sabe a pão" e constituem uma "alternativa sustentável às proteínas tradicionais", num negócio a dar os primeiros passos em Portugal, explicou hoje o B2ECoLAB.
"Há 10 anos, os insetos eram vistos como algo exótico. Atualmente estamos a incorporar esta fonte concentrada de proteína em produtos familiares, como pão, massas, bolachas, barritas, de maneira a que o sabor não seja comprometido", descreveu à Lusa Ana Rita Ribeiro, gestora de projetos no B2ECoLAB, um Laboratório Colaborativo de Bioeconomia Azul com sede em Matosinhos, no distrito do Porto.
Assim, quando o inseto é "incorporado num pão ou numa barrita, vai ser saboroso e ter características sensoriais a que o consumidor está habitado", pelo que "um pão sabe a pão e uma barrita sabe a uma barrita", assegurou a responsável, no Dia Mundial do Inseto Comestível.
Para assinalar a data e desmistificar preconceitos, o B2E promove um almoço com produtos confecionados a partir de produtos com proteína de inseto no restaurante pedagógico da Escola de Hotelaria e Turismo do Porto.
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A iniciativa insere-se no âmbito da Agenda InsectERA, uma agenda mobilizadora de inovação empresarial, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que reúne um consórcio de cerca de 38 parceiros, entre empresas e centros de investigação.
Com um investimento de cerca de 43 milhões de euros, dos quais 28,7 milhões do PRR, a agenda desenvolve "novas soluções alimentares a partir de proteína de inseto, numa lógica de economia circular".
"O objetivo é desenvolver novas soluções alimentares e industriais baseadas em insetos, sempre numa lógica de inovação, sustentabilidade e economia circular", explica Ana Rita Ribeiro.
A responsável refere que existe já "muito conhecimento científico, muitas tecnologias de produção, alta regulamentação europeia e empresas a desenvolverem ingredientes e produtos".
"É aqui que entra o projeto: estamos a transformar uma alternativa alimentar promissora numa realidade industrial e a criar condições para que possa chegar ao quotidiano dos consumidores. Estamos a abrir caminho para democratizar o consumo", descreve.
A gestora de projetos indica que "há vários insetos que se podem comer ou que são permitidos para consumo humano na Europa" e "um deles é a tenebrio".
"É uma fonte concentrada de proteína. Tem cerca de 55 gramas por 100 gramas de farinha, ou seja, 55% de proteína em 100 gramas de farinha. E tem ainda vitaminas, minerais e fósforo. É uma alternativa interessante para diversificar as fontes de proteína tradicionais, como a carne e o peixe", refere. Acresce "uma parte de sustentabilidade e eficiência na produção".
"Na produção usamos menos recursos, menos espaço, menos área arável, menos água potável para consumo humano e também menos alimento que pode servir para alimento humano. Para produzirmos um quilo de massa de insetos, temos que lhe dar dois quilos de alimento. Um bovino, por exemplo, tem que levar oito quilos de alimento para produzir uma massa equivalente", exemplifica.
A responsável admite que o preço ainda é uma condicionante para a massificação da produção, mas "existe bastante investimento" e "emprego criado" na fileira, com perspetivas de "um aumento bastante grande até 2030".
Ana Rita Ribeiro assinala que, recentemente, a Comissão Europeia deu conta de que "os insetos são estratégicos como alimento para os peixes sem aquacultura, por exemplo".
"Isto é importante porque implica maior investimento com a alimentação animal. E porque quem produz tenebrio para a alimentação animal também pode ter uma linha ao lado para a alimentação humana", descreve.
"Com a União Europeia a dizer explicitamente que se deve investir nos insetos, podemos participar ativamente nesta construção e em colocar Portugal a desenvolver competências para participar nesta transformação tecnológica e industrial", sublinha.