Programação cultural "enclausurada" em Guimarães será mais diversificada
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O presidente da cooperativa A Oficina assume que Guimarães vai ter uma programação cultural mais diversificada e abrangente, orientada sempre pela vertente da qualidade artística, visando cortar com o "enclausuramento de um gosto" que se foi cristalizando.
Esta ideia foi defendida por Esser Jorge Silva em entrevista à agência Lusa, um ano após assumir os destinos da cooperativa, que gere os principais equipamentos culturais de Guimarães, distrito de Braga, acrescentando que partilha da opinião do presidente da Câmara local que considerou que "havia uma programação demasiado cristalizada".
Em julho último, Ricardo Araújo (PSD/CDS-PP), em declarações à Lusa, afirmou que a sua eleição, em outubro 2025, significou o fim do elitismo na política cultural do concelho e o início de um ciclo de "cultura para todos", apontando como exemplos recentes o espetáculo de João Baião no Centro Cultural Vila Flor (CCVF) e a Noite Branca.
"O que o doutor Ricardo Araújo quis dizer foi que havia uma programação que estava demasiado cristalizada, muito centrada num gosto quase personificado, num gosto quase pessoal, e que era tido como todo o gosto, ou todo o gosto possível para a área cultural. E eu comungo dessa visão", assume o presidente da Oficina.
Para Esser Jorge Silva, a cultura contemporânea tem hoje ofertas diversas que não estavam a passar pelo CCVF, como já aconteceu.
"O Vila Flor tornou-se naquilo que era no pós-capital europeia da cultura exatamente porque passou a ter a capacidade de oferecer, não só aquilo que era diferenciado, mas também o que era diverso, dentro daquilo que é a cultura contemporânea. Entretanto, deixou de o fazer e, a certa altura, digamos que se enclausurou numa linguagem em que podemos dizer que é uma linguagem muito particular", assinala o também sociólogo.
No seu entender, as palavras do presidente do município, quando se referiu a uma cultura de elite existente em Guimarães, queriam dizer que havia um "enclausuramento de um típico que não permitia essa diferenciação cultural".
"E eu estou de acordo, e por isso mesmo é que hoje contamos ter uma programação, e é esse o nosso pressuposto, mais de acordo com aquilo que é uma vertente artística, mais aprofundada, seja a vertente artística, mas também mais diversa, não saindo, obviamente, daquilo que é uma oferta de qualidade, que é o que caracteriza a programação do Centro Cultural de Vila Flor", frisa Esser Jorge Silva, que vai replicar esta visão nos restantes equipamentos culturais da Oficina.
O presidente da cooperativa cultural detalha o contexto em que "o artista comercial" João Baião, através de si, "alugou" o grande auditório do CCVF para a realização de dois espetáculos.
"Eu não vi nenhum impeditivo, estando duas datas possíveis, principalmente próximas das festas Gualterianas, que são festas populares, não vi nenhum impeditivo em alugar o espaço. Ora, isso foi confundido como sendo algo da programação do Vila Flor. Não é da programação do Vila Flor, é um aluguer a um artista comercial", conta.
O responsável pela Oficina lembra que esta cooperativa cultural "não contrata artistas comerciais", pois o contrato programa veda-lhe a possibilidade de ter espetáculos a 40 ou 50 euros o bilhete, porque "os preços são subsidiados".
"Portanto, desde logo, aí foi mesmo um equívoco, e acredito também que o momento foi propício a isso, porque se tratou do momento da Noite Branca, em que se percebeu que houve um fenómeno, uma espécie de uma implosão vimaranense, ou de uma adesão vimaranense, a um dia, a uma proposta que não se esperava, em que, de repente, parecia que as pessoas estavam a festejar algo novo, a chegada de algo novo", refere Esser Jorge Silva.
Enquanto sociólogo, admite que olha para a enchente da Noite Branca como sendo um "fenómeno", sobre o qual "deve ser procurada uma explicação".
"Eu ainda não consigo dizer, mas podemos sempre aqui perceber de que se tratou do fenómeno da mudança em Guimarães, entre aquilo que era uma cultura enclausurada, num gosto muito fechado, muito circundado, e que não procurava dar abertura a outros tipos de propostas que a própria cultura contemporânea também oferece", acredita o presidente executivo da Oficina.
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