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Privatização "só existiu porque houve um Governo que resgatou a TAP"

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                    Privatização
Privatização "só existiu porque houve um Governo que resgatou a TAP" (Foto: Reprodução)

O antigo ministro das Infraestruturas e secretário-geral do Partido Socialista Pedro Nuno Santos, comentou hoje a concretização da venda de 49,9% da TAP à Lufthansa, afirmando que "ontem foi um dia muito divertido", numa alusão às declarações de Luís Montenegro e de alguns dos seus ministros sobre o negócio.

 

"O dia de ontem só existiu porque houve alguém e porque houve um Governo que resgatou e salvou a TAP", começou por apontar, em entrevista na CNN Portugal, lembrando que levou "muita pancada" pela companhia de bandeira portuguesa.

Para o antigo ministro, o "incómodo da AD e deste Governo é mais do que isso" e tem a ver com querer, por um lado, "puxar pelos resultados da venda mas, ao mesmo tempo, não querer reconhecer que sem o trabalho" do Governo do PS "estes resultados eram completamente impossíveis".

Pedro Nuno Santos criticou que, "em Portugal, nós vamos deixando alguns políticos dizerem tudo sem haver depois um choque, uma confrontação".

"Não podemos deixar passar ao de leve que, durante anos, o PSD fez um massacre contra a intervenção que foi feita e contra a decisão que foi feita", apontou. 

Pedro Nuno Santos recorda que, na altura, "Luís Montenegro disse que era um crime político e financeiro, que era impossível nós conseguirmos algum dia recuperar o investimento que foi feito".

E, agora, olhando para a proposta da Lufthansa e para o que foi apresentado ontem, "PSD, AD, o Luís Montenegro estiveram estes anos todos enganados ou a enganar o povo português porque, nos termos deles, nós vamos recuperar o investimento que foi feito na TAP".

Para o antigo líder do PS, "isto é muito importante porque há políticos que estiveram anos a destratar o PS, e já agora a mim enquanto ministro das Infraestruturas, e depois, ontem, celebram uma venda".

Sem mencionar logo Miguel Pinto Luz ou António Leitão Amaro, Nuno Santos menciona que ontem vários membros do Governo "foram às televisões" celebrar "uma grande venda" sem qualquer responsabilidade do Governo anterior. "E essa é uma história da carochinha que só acredita quem quer porque não tem qualquer sentido, é até absurda", criticou.

Pedro Nuno Santos admite que, "nos termos que apresentam, claro que aquilo é um bom negócio", mas salienta que nem o novo aeroporto, nem as obras nos aeroportos de Lisboa e do Porto nem o novo sistema de tráfego aéreo, ou seja, as "principais razões para a valorização", são responsabilidade dos governos da AD.

"As obras no [Aeroporto] Humberto Delgado foram negociadas comigo e com o Governo do Partido Socialista, as do Sá Carneiro também já estavam previstas, o controlo do tráfego aéreo também", enumera.

"Portanto, não há nada que o Governo tenha feito que seja da sua responsabilidade e que possam justificar «Fomos nós que conseguimos que a TAP valesse o que vale»", sustenta, justificando que a venda só foi possível graças à "restruturação bem sucedida" dos Governos anteriores.

Sobre a privatização da TAP a 100%, o antigo secretário-geral do PS afirma que a sua posição se mantém: "Sou contra a privatização da maioria do capital da TAP, não muda nada, e sou contra porque nós já sabemos o suficiente em matéria de privatização da maioria do capital de empresas públicas para saber o que acontece a essas empresas públicas a prazo."

"O que dói mais à Direita e aos liberais é que a TAP pública pode ser uma empresa rentável e lucrativa. Connosco foi e com um privado não foi", concluiu. "Teria sido sim um crime deixarmos a TAP falir e fechar."

[Notícia atualizada às 19h58]

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