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Presidente da Oficina critica falta de financiamento estatal para CIAJG

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                    Presidente da Oficina critica falta de financiamento estatal para CIAJG
Presidente da Oficina critica falta de financiamento estatal para CIAJG (Foto: Reprodução)

O presidente da cooperativa cultural de Guimarães A Oficina considera "demolidor e estarrecedor" que o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) não receba financiamento estatal como a Casa da Música e o Centro Cultural de Belém (CCB).

 

Em entrevista à agência Lusa, um ano após estar à frente da Oficina, que gere os principais espaços culturais de Guimarães, Esser Jorge Silva lamenta que o CIAJG, símbolo da capital europeia da cultura 2012, continue a ser tratado de forma diferente face a outros equipamentos, como a Casa da Música, no Porto, e o CCB, em Lisboa, que recebem milhões de euros através do Orçamento do Estado.

"É, em certa medida - aqui vou usar um adjetivo -, demolidor, pensarmos que a Casa da Música recebe todos os anos à volta de 10 milhões de euros, o Centro Cultural de Belém recebe todos os anos à volta de 10 milhões de euros, nove milhões, salvo erro. E esses dois equipamentos recebem esses montantes porque foram erigidos no âmbito das capitais europeias da cultura", lamenta o presidente executivo da Oficina.

Nesse sentido, assume que é "demolidor" saber o que se fez em Guimarães no âmbito da capital europeia da cultura, com a construção deste Centro Internacional de Artes, não ter "um pequeno financiamento" estatal, que já chegou a ter durante um ou dois anos.

"O Estado não consegue olhar para este equipamento como também saído de uma capital europeia da cultura, que é um equipamento que a própria cidade escolheu para ser o seu equipamento símbolo e que tem uma programação de nível internacional, tem uma atividade que ombreia com os grandes museus de arte contemporânea na Europa", sublinha o também sociólogo.

Para Esser Jorge Silva, "é absolutamente estarrecedor" assistir-se à passagem "de governos sobre governos, ministros sobre ministros, secretários de Estado sobre secretários de Estado", assumindo ser difícil aceitar que o CIAJG não tenha direito a um valor.

"Não vou dizer 10 milhões de euros, nove milhões de euros. Se tivéssemos isso, se calhar morríamos empanturrados", graceja o presidente da cooperativa cultual de Guimarães, apontando que um valor entre o meio milhão e o milhão de euros já seria justo.

"Já não seria só para Guimarães, seria para a região no seu todo, para aquilo que se pretende que no futuro venha a ser a área metropolitana do Minho, um contributo fenomenal para darmos aqui um incremento bastante grande a um equipamento que tem possibilidade de ser um grande equipamento internacional, de procura internacional ao nível das artes visuais", assinala.

Com esse apoio, segundo Esser Jorge Silva, seria possível transformar o CIAJG num "centro internacional de artes, um polo de interesse para praticamente toda a Europa".

"E julgo que, do ponto de vista do turismo, do turismo cultural, estamos a falar aqui de algo que era mais visto como um investimento", afirma.

O presidente da Oficina conta que a explicação que tem sido dada pela tutela para a não atribuição de financiamento estatal prende-se com uma questão "burocrática", pelo facto de o CIAJG não ser uma fundação, justificação com a qual discorda.

"Quando há vontade e se se quiser ter vontade, o Estado encontra aqui uma solução, porque é de justiça, de direito. Évora vai ser brevemente a próxima capital europeia da cultura e o que há a perguntar desde já é se Évora terá o mesmo tratamento que Lisboa e Porto ou se Évora terá o mesmo tratamento que foi Guimarães", questiona Esser Jorge Silva.

Nesse sentido, o presidente da Oficina interroga-se também sobre se os centros metropolitanos são tratados de forma diferenciada das áreas periféricas.

"É uma questão que fica e, portanto, julgo que este é um bom momento para resolvermos essa questão. Até pelo caso de Évora, que em 2027 será a capital europeia da cultura", recorda.

Esser Jorge Silva espera que "nesta legislatura seja retificada essa injustiça", acrescentando que o tema está a ser tratado entre o presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, e a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes.

"Temos alguma expectativa de que a senhora ministra venha a olhar para este caso e, desta vez, o assunto seja resolvido, não para ser uma resolução efémera, mas para que seja uma resolução duradoura, que dê ao Centro Internacional das Artes de José Guimarães a mesma dignidade que têm a Casa da Música e o Centro Cultural do Belém", defende o presidente executivo da Oficina.

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