Praça D. João I no Porto sem tendas ao início da madrugada
...
A Praça D. João I, no Porto, permanecia sem tendas montadas ao início da madrugada de hoje, ao contrário do que aconteceu no final da noite de quarta-feira, e com apenas alguns dezenas de pessoas no espaço público.
Poucos minutos antes da meia-noite, conforme constatou a Lusa no local, havia apenas algumas mantas estendidas no chão e três pessoas em situação de sem-abrigo a pernoitar na praça, sem a presença de forças policiais.
Horas antes, pelas 20:00 de quinta-feira, quando a assembleia popular teve início, chegaram a estar na praça cerca de três centenas de pessoas.
Na assembleia foi aprovada uma proposta para convidar o presidente da Câmara do Porto, o social-democrata Pedro Duarte, para uma reunião presencial no Teatro Municipal Rivoli.
Foi igualmente aprovada uma proposta para "permanecer e resistir" na Praça de D. João I, sem que tenha sido esclarecido se a ideia seria voltar montar tendas.
Os manifestantes aprovaram ainda a proposta para que, no dia 09 de novembro, a acampada se reúna na Praça da Trindade, junto aos Paços do Concelho.
Para esse dia está marcada uma reunião extraordinária da Assembleia Municipal para discutir o "Zonamento Inclusivo na Cidade do Porto" e os manifestantes querem mostrar apoio à proposta de reversão das decisões já tomadas para permitir a substituição de habitação acessível por compensações financeiras em sete projetos imobiliários.
Ainda antes das 20:00, em frente ao Teatro Municipal Rivoli, três centenas de pessoas assistiram a um concerto da dupla gondomarense João Não & Lil Noon, enquanto os mais novos brincavam com os jogos disponíveis numa pequena mesa montada para "resistir a brincar", com xadrez, livros para pintar e giz para desenhar no chão.
Na madrugada de quarta-feira para quinta-feira, cerca de 30 pessoas pernoitaram na Praça de D. João I sem tendas, após, pelas 00:15, a comissária da PSP do Porto Eduarda Fã ter explicado aos manifestantes que teriam de as retirar, mas ter dado o aval para permanecerem no espaço público, desde que sem fazer ruído.
Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.
Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.
A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto. Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.
Leia Também: "Erro grave avançar com lei das rendas. Espero que não vá para a frente"