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"Portugal é uma das pontes mais fortes da Europa para a América Latina"

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"Portugal é uma das pontes mais fortes da Europa para a América Latina" (Foto: Reprodução)

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, considerou hoje em Lisboa que Portugal "é uma das pontes mais fortes da Europa para a América Latina", destacando também o envolvimento com África, nomeadamente com os países lusófonos.

 

"Portugal é uma das pontes mais fortes da Europa para a América Latina", comentou Kaja Kallas, numa conferência de imprensa com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, após um encontro bilateral e antes de um jantar de trabalho no Palácio das Necessidades.

"Valorizo profundamente a perspetiva de Portugal", disse, referindo nomeadamente os desenvolvimentos recentes no Brasil, Venezuela e Cuba, e também a cimeira dos países ibero-americanos que se realizou hoje em Madrid, com a presença do Presidente da República, António José Seguro, do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e do ministro Paulo Rangel.

Por outro lado, a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança também destacou a ligação de Portugal a África.

"A estabilidade em Moçambique, em particular, é importante para a segurança regional e também para os nossos interesses energéticos mais amplos", comentou, recordando que a UE já apoiou o país com 150 milhões de euros através do Fundo Europeu de Paz.

A "forte contribuição de Portugal" para a missão de assistência militar da UE em Moçambique "é crucial para o seu sucesso", referiu.

Os conflitos no mundo dominaram o encontro entre Kaja Kallas e Paulo Rangel, com destaque para a Ucrânia.

"A Europa continua a apoiar todos os esforços para a paz, mas há pouca esperança de um fim iminente da guerra da Rússia neste momento", lamentou a alta representante.

Sobre o Médio Oriente, Kallas advertiu contra "qualquer nova escalada militar entre os Estados Unidos e o Irão", que "pode ter consequências graves para a região", afirmando apoiar "iniciativas diplomáticas de desescalada" junto dos parceiros do Golfo.

"A liberdade de navegação está sob pressão crescente atualmente. O Estreito de Ormuz, o Mar Negro e Bab el-Mandeb tornaram-se as vias navegáveis mais mortíferas do planeta", lamentou, rejeitando a imposição de taxas de direito de passagem.

Por outro lado, os ataques dos rebeldes huthis no Iémen e contra a Arábia Saudita "agravam ainda mais a segurança regional", num contexto em que "as operações navais da UE na região desempenham um papel vital na proteção do transporte marítimo", nomeadamente a Operação Atalanta, com a participação de Portugal.

Durante a sua visita a Lisboa, Kaja Kallas visitou a sede da Agência Europeia para a Segurança Marítima, cujo trabalho "é particularmente relevante para a luta contra a 'frota-fantasma' da Rússia".

Sobre a política externa da UE, a responsável defendeu a necessidade de a tornar "mais forte e coerente" e insistiu no fim da unanimidade no processo de decisão.

"Também precisamos de melhorar a tomada de decisões quando 26 Estados-membros estiverem prontos para agir. A Europa não deve ser travada durante anos pelo veto de um deles", reclamou.

Já Paulo Rangel destacou que a atuação do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE), que Kallas lidera, "não se esgota" nos conflitos que dominam a atualidade mundial.

"Há depois um trabalho magnífico feito em África, na América Latina, na Ásia, em muitos casos, representando muitos países que não têm embaixadas ou representações diplomáticas em muitos cantos do mundo", comentou o governante português.

A política externa europeia, sublinhou, abrange dimensões como a ajuda ao desenvolvimento, o estabelecimento de cooperação com esses países ou da criação de acordos de livre comércio.

Uma "nota pedagógica" que o ministro quis deixar numa altura em que França e Alemanha têm pedido uma reforma profunda do SEAE que, na prática, limitaria significativamente a autonomia da chefe da diplomacia europeia.

Kaja Kallas acredita que UE chegará a acordo sobre orçamento este ano

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, mostrou-se convicta de que os 27 Estados-membros da UE vão alcançar um compromisso sobre o próximo orçamento comunitário ainda este ano, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros português destacou a defesa como prioridade.

Lusa | 20:59 - 05/11/2026