Porta-voz do PSOE demite-se e desiste de ser candidata após polémica
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A porta-voz do Partido Socialista espanhol (PSOE), Montse Mínguez, proposta como candidata ao Congresso por Lleida, anunciou hoje que decidiu dar "um passo atrás" e demitir-se, depois da polémica gerada pelos negócios imobiliários do companheiro.
Fontes do PSOE indicaram que Mínguez renuncia ao cargo de porta-voz, ao lugar na direção do partido e também à sua candidatura às eleições legislativas antecipadas de 29 de novembro.
O Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC) de Lleida tinha-a escolhido para encabeçar a sua lista para o Congresso, e a nomeação deveria ser no sábado ratificada pelo Comité Federal.
Num comunicado publicado na sua conta da rede social X, a agora ex-porta-voz socialista afirma tomar esta decisão "de consciência tranquila, cabeça erguida e fidelidade intacta" aos seus princípios, convencida de que é o melhor para o "projeto coletivo" a que dedicou os seus esforços e as suas melhores energias.
Após a divulgação de informações sobre os negócios do companheiro, Montse Mínguez recebeu o apoio do primeiro-ministro espanhol e líder do PSOE, Pedro Sánchez, que, ainda na quinta-feira, em Bruxelas, respondeu com um "com certeza" quando questionado sobre se mantinha o apoio à porta-voz do partido.
No seu comunicado, Mínguez sublinha que, num "momento crucial" para Espanha — quando a extrema-direita bate à porta e pretende questionar avanços sociais que levaram anos a construir —, "a responsabilidade deve estar acima de qualquer consideração pessoal".
Agradece também a confiança, o apoio e o carinho recebidos durante todo este período.
Noutro comunicado, o PSOE elogiou a sua "percurso impecável como socialista" e agradeceu a sua "dedicação e empenho", "a paixão com que defendeu os valores socialistas" em todas as suas intervenções públicas e "a sua coerência" ao votar de acordo com os seus princípios.
Trata-se de uma decisão pessoal, tomada depois de a direção do PSOE lhe ter publicamente manifestado apoio após ter-se tornado alvo de críticas por parte da oposição, na sequência da publicação pelo diário El Español de várias informações sobre os negócios do seu companheiro, Sergi Vélez.
Segundo o referido jornal, Vélez é proprietário de 30 apartamentos e de duas empresas no Panamá, integradas no conglomerado empresarial da sua família, que opera no setor imobiliário.
Desde o início, ela argumentou que a atividade imobiliária do companheiro está em conformidade com a lei da habitação, uma legalidade também invocada por membros do Governo, como o ministro Óscar López, que defendeu que Vélez exercia "uma atividade lícita" e "cumpre a lei".
Pedro Sánchez revelou ter pedido a Montse Mínguez para não se demitir dos seus cargos, mas acrescentou saber que ela está "destroçada" e a atravessar um momento "muito difícil" devido à polémica sobre os alegados negócios imobiliários do companheiro.
Numa conferência de imprensa após a reunião da cimeira europeia em Bruxelas, Sánchez lamentou a decisão de Montse Mínguez de dar "um passo atrás", mas sublinhou: "Do ponto de vista pessoal, a política, por vezes, maltrata as boas pessoas, e este caso é disso exemplo".
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