Porta a Porta condena declarações de Montenegro e Pedro Duarte
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O movimento Porta a Porta condenou hoje as declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, sobre a carga policial desta madrugada sobre manifestantes na Praça D. João I.
"O Porta a Porta condena veementemente a postura e declarações do primeiro-ministro e do presidente da Câmara do Porto sobre os manifestantes na Praça D. João I, considerando-as mesmo provocatórias, e o uso da força policial como forma de repressão do legítimo direito de manifestação", pode ler-se em comunicado hoje divulgado.
O movimento expressa "solidariedade a todos os que ao longo dos últimos anos têm vindo a lutar pelo direito à habitação", lembrando que esta causa "é uma genuína expressão de todos os que têm sido excluídos do acesso a uma habitação digna, em virtude de opções políticas de sucessivos governos do PS, PSD e CDS, que o Chega e a IL apoiam".
"Apelamos ao desenvolvimento da luta pelo direito à habitação por todo o país, lembrando que está agendado para o dia 14 de novembro, um grande dia nacional de luta, com ações em todo o país", rematam.
O movimento pela habitação que tem protestado no Porto desde sábado, com uma acampada que ali começou nesse dia, denunciou uma carga policial esta madrugada que causou ferimentos em 37 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.
"Na madrugada desta quinta-feira, às 02:56, as forças policiais intervieram na acampada pela habitação na Praça D. João I, no Porto, numa operação destinada a pôr termo ao protesto", refere o movimento em comunicado.
De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados..
Na segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam armadas na praça, fundamentando a câmara que o acampamento ocupava indevidamente o espaço público, levando os manifestantes a dormir ao relento, mantendo o protesto mesmo sem isso.
Na quarta-feira, numa assembleia popular, as pessoas votaram por manter o protesto e voltar a dormir em tendas, manifestando o grupo vontade de "continuar a crescer e não só no Porto", apelando a outras cidades, como o que já está convocado para Lisboa no sábado.
Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, ter dito na quarta-feira que seria "absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas" na Praça D. João I".
O movimento apresenta seis reivindicações principais: "abaixo a lei das rendas; fim dos despejos; fim da compra de imóveis por fundos abutres; mais habitação pública; recuperação de imóveis devolutos para habitação; tetos às rendas".
Na nota de hoje, o movimento "denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência", considerando a carga "inaceitável" e pedindo responsabilidades.
A PSP confirmou entretanto um polícia ferido e a existência de feridos entre os manifestantes, sem precisar quantos, atribuindo a razão da intervenção a "comportamentos de resistência".
O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, disse hoje que a PSP se viu "forçada" a atuar, perante a atitude dos manifestantes, tendo lamentado o incidente.
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