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Pedro Duarte revela contactos "muito cordiais" com manifestantes no Porto

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                    Pedro Duarte revela contactos
Pedro Duarte revela contactos "muito cordiais" com manifestantes no Porto (Foto: Reprodução)

O presidente da Câmara do Porto revelou hoje estar numa fase bastante avançada de "contactos muito cordiais" com o Movimento pela Habitação que está, desde 10 de outubro, em protesto na cidade.

 

"Felizmente estamos já numa fase bastante avançada,..., de contactos muito cordiais, muito ordeiros, eu diria, civicamente exemplares, com os manifestantes aqui na cidade do Porto", afirmou Pedro Duarte.

À margem da 3.ª edição do Encontro de Gestores de Entrada, na Alfândega do Porto, o autarca, eleito pelo PSD/CDS-PP/IL, referiu que o movimento ainda não lhe sugeriu uma data para a reunião, mas têm estado a "trocar comunicações" para a concretizar.

"Os manifestantes pediram-nos mais algum tempo para poderem, de alguma maneira, recolher material e informação e eles próprios, de certa maneira, dissecarem um pouco a discussão e o debate interno e nós, naturalmente, estamos disponíveis para, no momento que acharem mais oportuno, podermos conversar sobre o problema da habitação e, isso, parece-nos importante", assinalou.

Pedro Duarte insistiu que os contactos entre a autarquia e o movimento têm sido "muito construtivos" e pautados por "boa vontade".

"Eu diria que no Porto está a acontecer algo que me parece muito importante que é a absoluta normalidade democrática e, normalidade democrática, não significa que estamos todos caladinhos e todos a concordar uns com os outros", apontou.

Segundo Pedro Duarte, normalidade democrática é as pessoas poderem ter posições diferentes, manifestá-las, poderem ser "muito, até, veementes" na defesa das suas convicções, mas dentro do quadro legal democrático.

Nos últimos dias, acrescentou, os manifestantes têm mostrado um grande sentido cívico.

"E eu acho que isso vai continuar a acontecer. Porém, isso não quer dizer que não se possam manifestar, porque amanhã [sábado] julgo que está convocada uma manifestação e para domingo há uma outra manifestação de um partido político, o PCP, portanto, a cidade do Porto vai continuar, evidentemente, a ter a sua vivacidade cívica e democrática muito ativa", concluiu.

O movimento pela habitação que desde 10 de outubro tem organizado protestos e uma acampada na Praça D. João I, no Porto, reiterou hoje o convite para a manifestação de sábado, deixando críticas ao Governo.

Num comunicado em que se refere a várias decisões ou momentos que ocorreram nos últimos dias, em que o movimento Acampada não teve presença organizada na comunicação social e, na praça, não promoveu assembleias populares, o foco que pretende colocar é na manifestação de sábado, pelas 16:00, da Praça da Batalha até à Praça D. João I, onde às 19:30 se realizará uma assembleia popular.

A Acampada confirma ainda ter "recebido oficialmente o convite da Câmara do Porto na segunda-feira", para se reunir com o presidente e não quer "fechar linhas de diálogo", mas reitera "a vontade de dialogar e discutir soluções em assembleia popular".

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.

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