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PCP exige requalificação da Linha do Vouga até Águeda

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                    PCP exige requalificação da Linha do Vouga até Águeda
PCP exige requalificação da Linha do Vouga até Águeda (Foto: Reprodução)

A direção de Aveiro do PCP defende que a reabilitação da Linha Férrea do Vouga "não pode esperar 15 a 20 anos" nem limitar-se ao troço Espinho/Oliveira de Azeméis sem incluir Sernada do Vouga, no concelho de Águeda.

 

Em comunicado esta segunda-feira, a estrutura distrital dos comunistas exige "a revisão integral" do projeto, na sequência de um recente incêndio numa carruagem do chamado "Vouguinha" e de declarações públicas de responsáveis da empresa Transportes Metropolitanos do Porto afirmando que o Governo estava a equacionar apenas a conversão da linha para bitola ibérica ou a implementação de um sistema 'BRT - Bus Rapid Transit', também conhecido por metrobus.

"Face ao perigo que constitui a atual visão do Governo, da Área Metropolitana do Porto e da Transportes Metropolitanos do Porto relativamente à Linha do Vouga, o PCP continua intransigente na sua defesa e (…) afirma a necessidade de se proceder à revisão integral da via-férrea, à abertura da Linha entre Azeméis e Sernada, à reabilitação e modernização das estações, e à melhoria da eficiência e segurança nas passagens de nível", enumera o comunicado.

No que se refere em concreto aos prazos de execução da obra, o PCP diz que "o 'mais importante e impactante projeto no sul da Área Metropolitana' não pode esperar 15 a 20 anos para ser concluído" e argumenta: "Não serve o interesse das populações alimentar soluções que, para lá de conduzirem ora à destruição da linha, ora a investimentos de grande envergadura e de duvidosa aplicabilidade, empurram a sua conclusão para daqui a duas décadas".

Quanto à extensão geográfica da obra, os comunistas explicam que a empreitada não pode restringir-se ao troço entre Espinho e Azeméis, porque "a Linha do Vouga e o Ramal Ferroviário de Aveiro formam uma rede de 96 quilómetros entre Espinho e Aveiro, e formavam uma rede de 177 quilómetros entre Espinho, Aveiro e Viseu", o que se reveste de "uma importância estratégica para a mobilidade regional". Assim sendo, essa ferrovia pode "ter soluções diferenciadas para distintos troços", mas "não deve ser amputada numa lógica exclusivamente metropolitana de ligação à cidade do Porto".

Os comunistas recomendam ainda a relocalização de alguns apeadeiros ao longo da Linha, a automatização do seu sistema de bilhética, a melhoria das carruagens, o aumento da frequência de comboios, a eletrificação da via em toda a sua extensão e a garantia do transbordo de passageiros em Espinho para a Linha do Norte "em comodidade e segurança".

A direção regional do PCP admite que o Plano Nacional Ferroviário prevê um investimento de 100 milhões de euros para requalificar e eletrificar a Linha do Vouga até 2030, mas, face a tudo o que é necessário fazer, afirma que "é cada vez mais duvidoso que o Governo venha de facto a concretizar este projeto nos termos que melhor servem as populações".

Para justificar essa perspetiva, a direção de Aveiro menciona outros aspetos que continuam por esclarecer, a começar pela hipótese de a linha passar a ser utilizada como metrobus. Isso seria, "na realidade, um autocarro em canal dedicado e, na prática, corresponde à destruição da linha do Vouga, comprometendo a mobilidade entre os concelhos atravessados e as ligações ao Porto e a Aveiro", o que "contraria qualquer lógica de valorização do transporte coletivo e há muito se percebe que é um erro".

Outras duas questões mal explicadas são as relativas à largura entre carris e à lotação das carruagens.

No primeiro caso, o PCP alerta que "um projeto em bitola ibérica – mais largo do que a atual bitola métrica – implicaria um investimento muito significativo na alteração completa do perfil da Linha do Vouga, com impactos substanciais para as populações dos concelhos de Espinho, Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Oliveira de Azeméis". Obrigaria a demolir casas e a alterar a localização de estações e passagens de nível, por exemplo, com o "ganho na duração da viagem [a ser] muito reduzido", quando, em alternativa, já existem condições para "proceder à eletrificação da linha em bitola métrica, garantindo um serviço com maior frequência e qualidade".

Quanto à lotação, o comunicado refere que qualquer projeto visando encaminhar mais passageiros para a Linha do Norte deve considerar "a absoluta saturação" dessa ferrovia na atualidade, com "comboios sobrelotados, frequência insuficiente, atrasos constantes devido ao já elevado tráfego, falta de condições em muitas estações e apeadeiros, e o adiamento criminoso da construção da Linha de Alta Velocidade Porto-Lisboa" – que se "arrasta há mais de 30 anos" e "insiste" numa concretização em forma de parceria público-privada.

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