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Paula Rego e José António Tenente juntos em exposição em Cascais

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                    Paula Rego e José António Tenente juntos em exposição em Cascais
Paula Rego e José António Tenente juntos em exposição em Cascais (Foto: Reprodução)

A pintura de Paula Rego cruza-se com a moda de José António Tenente numa exposição de obras da artista e de peças da coleção do estilista, que é inaugurada a 12 de novembro na Casa das Histórias, em Cascais.

 

Intitulada "Paula Rego/José António Tenente – Getting Ready for the Ball", a exposição reúne 25 obras da artista e a coleção Outono-Inverno 2009/10 do criador português de moda, concebida a partir do universo pictórico da pintora, incluindo os desenhos preparatórios das peças e vestuário, segundo informação divulgada pelo museu.

Com curadoria de Catarina Alfaro e José António Tenente, a mostra fica patente até 28 de março de 2027, com abertura ao público no dia 13 de novembro, numa iniciativa da Fundação D. Luís I, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais (CMC).

A mostra estabelece um diálogo entre duas formas de criação, partindo da presença recorrente do vestuário na obra de Paula Rego e da sua influência no trabalho do estilista de moda, explica o comunicado do museu.

Apresentada em desfile em 2009, a coleção inspira-se sobretudo em obras realizadas pela artista a partir da década de 1990, período em que as peças de vestuário assumem particular importância na composição, enquanto na 'passerelle', modelos femininos e masculinos seguravam cartões com os títulos das pinturas e gravuras que serviram de referência às criações.

Na pintura de Paula Rego, "a roupa participa na caracterização psicológica das figuras e na construção das atmosferas históricas e sociais", indica o texto do museu.

Por outro lado, "estabelece também relações com a representação da mulher": "As rendas, os veludos, as pregas e os panejamentos ganham expressão através do pastel seco, da pintura e da gravura, com os tecidos a assumirem diferentes formas e volumes sobre o corpo", acrescenta.

Também no processo criativo de José António Tenente o desenho ocupa um lugar central, sendo o ponto de partida para imaginar a forma como os tecidos caem e se transformam com o movimento.

Na exposição, os desenhos preparatórios da coleção permitem acompanhar esse processo de passagem da referência pictórica à concretização das peças de vestuário.

Entre as obras que inspiraram Tenente encontram-se "As Criadas", de 1986, pintura realizada a partir da peça de Jean Genet, que deu origem a seis interpretações na coleção, e "A Prova" (1990), que representa uma jovem a preparar-se para um baile de debutantes, acompanhada pela mãe e pela modista - este quadro levou o estilista a criar um vestido em brocado com padrão floral 'azul-noite', afastando-se da volumosa saia de cetim representada na pintura.

Noutros casos, a apropriação é mais pontual, como em "A Marquesa saiu às cinco" (2008), de onde o designer recuperou o chapéu, reinterpretado em feltro roxo com véu de renda.

Da gravura "Palha Ardente" (1996) nasceu um vestido curto, construído a partir de um emaranhado de tule, enquanto em "Anjo" (1998), da série "O Crime do Padre Amaro", Tenente retomou a comprida saia de tafetá que prende a figura ao chão.

O diálogo entre os dois criadores assenta na apropriação e reinterpretação de referências, sem reprodução direta das obras, segundo a curadora Catarina Alfaro, que considera o trabalho de Tenente "uma transformação visual e uma efetiva concretização material que vai além das obras de Paula Rego", permitindo observar duas dimensões que se cruzam nos respetivos percursos: "Vestir na arte, vestir na vida real".

A exposição está integrada no programa de mostras temporárias da Casa das Histórias dedicado a criadores cujo trabalho estabelece relações com o universo de Paula Rego, alargando a leitura da obra da artista a outras áreas, entre as quais a literatura, o cinema, o teatro e a moda.

José António Tenente iniciou a formação superior em Arquitetura, tendo posteriormente optado pelo design de moda, área em que apresentou a primeira coleção em nome próprio em 1986, com trabalho desenvolvido entretanto em Portugal e no estrangeiro.

Foi distinguido com vários prémios de "Criador de Moda do Ano", dedicando-se atualmente à criação de figurinos para dança, ópera e teatro, atividade presente desde cedo no seu percurso.

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Lusa | 18:14 - 05/11/2026