Partido Anamola reúne 400 delegados em convenção extraordinária em Maputo
...
O partido moçambicano Anamola realiza hoje, em Maputo, a sua primeira Convenção Nacional extraordinária, prevendo a participação de mais de 400 delegados, para apreciar alterações aos estatutos, aprovar instrumentos normativos pendentes e definir os próximos passos políticos.
O encontro está previsto para se iniciar pelas 09:00 (08:00 em Lisboa), em formato híbrido, com base central na cidade de Maputo e participação de estruturas do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), de Venâncio Mondlane, a nível nacional, provincial, distrital e da diáspora.
A realização da convenção foi anunciada em setembro, após o segundo Conselho Nacional, que consensualizou a proposta para 24 de outubro, com o objetivo de apreciar e aprovar instrumentos que permaneciam pendentes.
Na altura, o porta-voz nacional, Alberto Manhique, explicou que o Conselho Nacional tinha aprovado o regulamento do órgão, os membros do Conselho de Justiça e do Conselho de Fiscalidade, além de ter ratificado a nomeação do secretário-geral, enquanto o relatório financeiro continuava em debate.
O segundo Conselho Nacional foi realizado em Maputo para avaliar o primeiro ano de atividade do partido, analisar a implementação das decisões anteriores e reforçar a organização interna.
Nas declarações sobre a convenção extraordinária, o partido destacou o reforço institucional e a participação dos membros na definição dos próximos passos da organização, apelando à unidade, disciplina e respeito pelas normas estatutárias.
O Anamola não detalhou a agenda concreta do encontro de hoje, nem identificou todas as propostas que serão submetidas à apreciação ou votação dos delegados.
Contudo, na terça-feira, o partido afastou qualquer possibilidade de substituição de Venâncio Mondlane na liderança da organização política, após especulações suscitadas pelo julgamento do fundador do partido, em novembro.
A posição foi assumida pelo secretário-geral do Anamola, James Njiji, que garantiu que a eventual substituição de Venâncio Mondlane nunca foi discutida nos órgãos internos da organização: "Não sei porque é que nós temos de substituir o presidente por ir a julgamento. Em nenhum momento é matéria de discussão nos nossos órgãos. Ele continua presidente do partido e vai continuar até após o julgamento".
Venâncio Mondlane foi eleito presidente da Anamola em agosto deste ano, na província de Nampula, para um mandato de cinco anos, partido que o próprio, candidato presidencial em 2024, fundou em 2025.
O Tribunal Supremo agendou para 17 de novembro o início do julgamento de Venâncio Mondlane, no âmbito dos protestos que se seguiram às eleições gerais de 09 de outubro de 2024, nas quais o político foi candidato à Presidência da República e não reconheceu os resultados oficiais.
O processo foi movido pelo Ministério Público, que acusa o político dos crimes de apologia pública ao crime, incitamento à desobediência coletiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo.
Leia Também: Moçambique prevê contratar 5.541 funcionários em 2027