Participantes na assembleia popular de Lisboa apelam a acampada conjunta
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Alguns dos participantes na assembleia popular que hoje se realizou na praça do Rossio, em Lisboa, apelaram à organização de uma única Acampada, que junte as várias cidades associadas ao movimento em defesa do direito à habitação.
A 13.ª assembleia popular da Acampada de Lisboa teve como ordem de trabalhos recolher propostas sobre como melhorar a organização e o processo de tomada de decisão, "pela saúde da Acampada", situou Priscila Valadão, uma das porta-vozes.
"A Acampada de Lisboa só cresce", notou, mas sublinhando que isso tem dificultado a tomada de decisões.
Entre as propostas, dois participantes - muito aplaudidos entre as duas centenas de pessoas concentradas esta noite na Praça D. Pedro IV - sugeriram a união das acampadas numa só, no Porto, por ter iniciado o movimento e, dada a sua dimensão mais pequena, poder garantir maior impacto e mais segurança.
"O problema da habitação não é um problema desta praça, é um problema do país inteiro", lembrou outro participante na assembleia.
Houve também quem defendesse a ampliação das reivindicações a outras causas, da política externa e do antimilitarismo ao combate às alterações climáticas, no sentido de derrubar o atual sistema capitalista e fazer uma nova revolução.
Nas intervenções ficaram expressas divisões entre quem defende privilegiar o voto individual em assembleia e adotar uma organização mais centralizada, que represente o coletivo, nomeadamente através do plenário de delegados, que já existe.
Houve também uma saudação especial à cantina popular, que tem garantido a alimentação da Acampada -, apontada como a razão para a mudança horária da assembleia (das 19:00 para as 21:00), para quem a assegura poder também participar.
Ao microfone, o grupo de trabalho responsável pela logística, nomeadamente a cozinha, propôs que a hora das assembleias passe definitivamente para as 21:00.
As propostas vão ser agora publicadas e divulgadas na Internet, para serem votadas na assembleia marcada para sexta-feira, às 19:00.
Na assembleia popular de quarta-feira, foi aprovada a realização, no próximo sábado, de uma nova manifestação entre o Largo de Camões e o Rossio, seguida de concentração.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação dos imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.
As acampadas pelo direito à habitação começaram em 10 de outubro, no Porto, e estenderam-se depois a Lisboa.
Na madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e retirassem as tendas.
Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação, no que têm sido acompanhados por vários juristas, enquanto a PSP tem fundamentado as suas intervenções num decreto-lei de 1974, que refere que os protestos não podem ir além das 00:30.
A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais de domingo, que causaram dezenas de detidos e de feridos, tendo a provedora de Justiça solicitado também informações à PSP, com caráter de urgência.
Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção Presidente da República, António José Seguro.
O chefe de Estado apelou na terça-feira ao diálogo sobre a habitação "e nunca à violência", afirmando que não gostou das imagens que viu, mas aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre os manifestantes.
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