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ONU pede apoio contínuo aos ucranianos e refugiados face ao inverno

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                    ONU pede apoio contínuo aos ucranianos e refugiados face ao inverno
ONU pede apoio contínuo aos ucranianos e refugiados face ao inverno (Foto: Reprodução)

A ONU apelou hoje à comunidade internacional que mantenha o compromisso e continue a apoiar tanto os ucranianos no país como os refugiados no estrangeiro, face aos ataques que atingem as infraestruturas energéticas e o aproximar do inverno.

 

Philippe Leclerc, diretor regional para a Europa da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), declarou hoje, através de um comunicado, que os ataques russos à Ucrânia estão a ser implacáveis, ocorrendo de dia e de noite, e têm como alvo infraestruturas energéticas críticas.

Estes ataques trazem "o risco de cortes prolongados de energia, deixando milhões de pessoas sem aquecimento, eletricidade e com acesso limitado a água e outros bens essenciais".

O aumento dos ataques com mísseis de longo alcance e drones significa que não há lugar seguro na Ucrânia, enfatizou o responsável do ACNUR, segundo o qual os civis, incluindo os que estão longe da linha da frente, enfrentam ameaças à sua segurança e às suas casas e encontram frequentemente dificuldades em aceder aos serviços básicos.

"O ACNUR, em conjunto com uma sólida rede de organizações não-governamentais (ONG) parceiras ucranianas, continua a prestar assistência e proteção de emergência, o que inclui apoio a abrigos, assistência jurídica, aconselhamento em saúde mental e ajuda financeira", referiu o responsável.

No entanto, indicou que os seus parceiros têm enfrentado ataques recorrentes que afetam as suas equipas, veículos e instalações.

"Entre 01 de setembro e 14 de outubro, 10 incidentes de segurança atingiram funcionários ou parceiros do ACNUR, incluindo ataques com drones e bombardeamentos aéreos contra — ou nas proximidades de — equipas humanitárias, escritórios, armazéns e veículos claramente identificados como transportando ajuda", afirmou.

Tais ações, segundo o comunicado do ACNUR, colocam os trabalhadores humanitários em risco e danificam recursos essenciais utilizados para a prestação de assistência.

O ACNUR instou à Rússia a cessar os ataques contra civis e reiterou que os trabalhadores e os recursos humanitários devem ser protegidos, não podendo, em caso algum, ser tratados como alvos.

Segundo a agência da ONU, espera-se que o deslocamento interno continue, uma vez que as retiradas das áreas próximas da linha da frente aumentaram significativamente - desde janeiro de 2026, mais de 136 mil pessoas foram acolhidas em centros de trânsito apoiados pelo ACNURm um número cerca de 70% superior aos quase 80 mil que passaram por locais situados em comunidades na linha da frente durante 2025.

Este dado representa apenas uma parcela do total de pessoas retiradas de zonas de conflito, uma vez que muitos não procuram apoio nestas instalações de trânsito.

Muitos dos que foram obrigados a fugir encontram-se numa situação de grande vulnerabilidade: quase 40% são idosos e um número expressivo é composto por pessoas com deficiência.

Ao todo, 10,8 milhões de pessoas dentro da Ucrânia necessitam de assistência humanitária, sublinha a agência das Nações Unidas.

Paralelamente, há quase 5,2 milhões de refugiados ucranianos em vários países da Europa. Com o início do conflito em grande escala em 2022, as nações europeias reagiram com uma solidariedade extraordinária, garantindo a milhões de pessoas o acesso imediato a proteção e assistência.

Mecanismos como a Proteção Temporária — e outros arranjos semelhantes — permitiram que milhões de refugiados obtivessem, de forma ágil, um estatuto legal, bem como o acesso a direitos e serviços.

Com o passar do tempo, a resposta evoluiu da assistência de emergência para o foco na inserção no mercado de trabalho, na integração nos serviços nacionais e no reforço da autonomia dos refugiados, referiu o ACNUR.

É visível o progresso no sentido de uma inclusão a longo prazo nos sistemas nacionais: segundo um inquérito interinstitucional divulgado na segunda-feira, em 2025, 67% dos refugiados ucranianos adultos em nove países estavam empregados, e 84% das crianças refugiadas encontravam-se matriculadas em escolas nacionais.

O aumento da empregabilidade entre os refugiados tem contribuído para a oferta de mão-de-obra, o consumo local e a cobrança de impostos. Um inquérito recente da Deloitte revelou que, em 2025, os refugiados ucranianos foram responsáveis por 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) da Polónia, o que equivale a cerca de 24,4 mil milhões de dólares.

Por outro lado, após quatro anos e meio de deslocação, começam a surgir sinais de desgaste, à medida que cresce a pressão sobre os países e comunidades de acolhimento.

Face ao aumento da retórica anti-refugiados e da hostilidade em algumas partes da Europa, torna-se fundamental manter a solidariedade e o apoio tanto aos refugiados como às comunidades que os acolhem, defende a agência da ONU.

Muitos refugiados ucranianos continuam a enfrentar dificuldades em encontrar habitação acessível ou um emprego que corresponda às suas competências e qualificações, entre outros problemas, referiu a ACNUR.

O ACNUR conclui assim que "este não é o momento para se distanciar, é o momento de proteger os avanços já alcançados e de permanecer ao lado dos ucranianos enquanto se preparam para as incertezas dos próximos meses".

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Lusa | 08:34 - 27/10/2026