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Oito em cada dez norte-americanos são contra execução em direto de Hasan

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                    Oito em cada dez norte-americanos são contra execução em direto de Hasan
Oito em cada dez norte-americanos são contra execução em direto de Hasan (Foto: Reprodução)

Oito em cada dez norte-americanos consideram que a execução de Nidal Hasan, autor de um ataque mortal contra militares, não deve ser transmitida em direto, apesar dos planos no Pentágono. 

 

A conclusão é de sondagem da ABC News, do The Washington Post e da Ipsos, divulgada esta quinta-feira, cerca de uma semana após o Pentágono ter confirmado que pretende transmitir em direto a execução do homem condenado à morte pelo ataque de 2009. 

Hasan, antigo major do Exército norte-americano, deverá ser executado em na base militar de Fort Hood por um pelotão de soldados armados com espingardas.

Segundo a sondagem, a oposição à transmissão em direto é maioritária entre os diferentes grupos políticos, sendo que 91% dos democratas, 83% dos independentes e 64% dos republicanos consideram que a execução não deve ser transmitida na internet. 

Aliás, mesmo entre os norte-americanos que apoiam a execução por pelotão de fuzilamento, 69% consideram que esta não deve ser transmitida em direto.

No entanto, apesar da oposição generalizada à transmissão em direto, os norte-americanos estão divididos quanto à própria execução de Hasan. Uma maioria de 53% apoia a execução por pelotão de fuzilamento, enquanto 42% se opõem.

Nidal Hasan foi condenado à morte por ataque que vitimou 13 pessoas

Nidal Hasan foi condenado à morte pelo ataque que matou 13 pessoas em 2009 na base militar de Fort Hood, no Texas.

A execução foi aprovada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, por recomendação do secretário de Defesa, Pete Hegseth, e será a primeira realizada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos desde 1961.

O ataque ocorreu em 5 de novembro de 2009, quando Hasan, psiquiatra militar de origem palestiniana, abriu fogo sobre militares que se encontravam num centro de preparação para destacamentos no estrangeiro. Foi considerado um dos ataques mais mortíferos cometidos numa instalação militar dos Estados Unidos.

Hasan, que ficou paralisado da cintura para baixo depois de ter sido atingido pela polícia durante o ataque, foi condenado à morte em 2013 por um tribunal militar.

Durante o julgamento, Hasan admitiu ter sido o autor dos disparos e justificou a sua atuação com a oposição às operações militares norte-americanas no Afeganistão e no Iraque.

ONU condena execução pública: "Pena cruel, desumana ou degradante"

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou que "as execuções públicas constituem uma forma de tratamento ou pena cruel, desumana ou degradante" e avisou que a transmissão em direto pode constituir uma forma de tortura.

"Como salientou o Alto Comissário em reação às execuções públicas no Afeganistão e no Irão, as execuções públicas constituem uma forma de tratamento ou pena cruel, desumano ou degradante. A transmissão em direto de uma execução equivale a uma execução pública e violaria a proibição absoluta da tortura", avaliou o Alto Comissariado numa mensagem enviada à agência de notícias AFP. 

"O desrespeito por esta proibição tornaria inevitavelmente a execução arbitrária por natureza. Isso acarretaria uma violação do direito à vida", acrescentou.

Organizações de defesa dos direitos humanos e várias personalidades criticaram também a decisão, incluindo o senador republicano Tom Tillis, que classificou a transmissão como "repugnante".

"As execuções públicas são práticas próprias de ditaduras opressivas como as do Irão e do Afeganistão. Isso não deveria acontecer nos Estados Unidos", escreveu Tillis na rede social X.

EUA. Secretário de Segurança Interna defende execução de Hasan em direto

O secretário de Segurança Interna dos EUA (DHS, sigla em inglês), Markwayne Mullin, defendeu, no domingo, um plano para a transmissão em direto da execução de Nidal Hasan.

Notícias ao Minuto | 15:03 - 12/10/2026