Oficina de Guimarães sofreu desinvestimento de mais de um milhão de euros
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O presidente da Oficina, que gere os principais equipamentos e espaços culturais de Guimarães, diz que nos últimos cinco anos houve um desinvestimento na cultura local e nesta cooperativa cultural, "desvalorizada" em mais de um milhão de euros.
Em entrevista à agência Lusa, um ano após ter sido nomeado pela Câmara, Esser Jorge Silva sustenta que "os números demonstram" que nesses anos houve um decréscimo nas verbas do município para a cooperativa cultural, que "sofreu uma involução no seu orçamento".
"Isso tem muito a ver com aquilo que o município decidiu fazer, que foi, praticamente, retirar orçamento à Oficina. Contas feitas, A Oficina foi desvalorizada, entre 2020 e 2025, em pouco mais de um milhão de euros. Estamos agora a repor e vamos tentar ver se atingimos valores do período pós-capital europeia da cultura. Mas vamos demorar algum tempo até consegui-lo", assume.
Criada em 1989, a cooperativa cultural municipal A Oficina tem atualmente cerca de 80 profissionais em todas as áreas e gere, nomeadamente, o Centro Cultural Vila Flor (CCVF), o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), a Casa da Memória e o Centro de Artes e Ofícios dos Fornos da Cruz de Pedra.
Quando chegou à Oficina, Esser Jorge Silva deparou-se com "algum desagrado junto dos bons profissionais", causado pelo desinvestimento, perante o qual nada podiam fazer, pois a cooperativa é detida em quase 90% pelo município de Guimarães.
"E, portanto, cabe à Câmara ter um papel quanto ao seu objetivo, ao desenvolvimento do seu objetivo. E a Oficina foi objeto de desinvestimento verdadeiramente. Não há como dizer isto de outra maneira", defende o presidente executivo da cooperativa cultural, admitindo tratar-se de uma opção política dos anteriores executivos liderados por Domingos Bragança (PS).
Jorge Esser Silva esteve integrado na equipa que fez a avaliação sociocultural da capital europeia da cultura, realizada em 2012, "um dos maiores acontecimentos ao nível daquilo que era uma ideia de transformação do concelho de Guimarães", no distrito de Braga.
"A própria cidade passa a designar-se e a sentir-se como uma cidade de cultura. Diria que, nos últimos anos, diria e digo com toda a certeza, nos últimos anos não houve, pela Oficina e pela cultura em Guimarães, a mesma atenção que houve nesses anos subsequentes, logo imediatamente depois da capital europeia da cultura", sublinha o também sociólogo.
Esser Jorge Silva diz que um dos seus principais objetivos é inverter "absolutamente" este ciclo de desinvestimento, dando conta de que o orçamento para 2027 da Oficina ainda não está fechado com o presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo (PSD/CDS-PP).
"Mas os valores que foram conversados com o senhor presidente da Câmara, e que a seu tempo aparecerão em orçamento, são uma manifesta valorização daquilo que é a Oficina e daquilo que é o papel da Oficina na programação cultural do território", revela.
O objetivo é, segundo Esser Jorge Silva, cumprir o "grande desígnio" da Oficina, que é "fazer acompanhar toda a programação com uma grande presença da educação e mediação cultural", acrescentando que a cooperativa não quer trabalhar nada na programação que não tenha acoplado a educação e a mediação cultural.
"O nosso objetivo primordial é tocar na população em geral, mas, principalmente, chegarmos até às escolas, aos nossos estudantes e proporcionarmos a possibilidade de um contacto com as artes, de modo a perceberem ou a sentirem que há aqui um trabalho em direção ao sensível, do humano. E, portanto, pensamos que é uma base importante para a formação humana, daquilo que são as nossas gentes, as nossas pessoas, os vimaranenses", explica o presidente da Oficina.
Outra das mudanças que ocorreu durante o último ano "de muito trabalho" foi a saída de Rui Torrinha da direção artística do Centro Cultural Vila Flor, após mais de uma década, e a entrada de Bruno Reis, que já era diretor do Teatro Oficina.
Esser Jorge Silva assume que foi uma "escolha" sua, validada pelo presidente do município e pela vereadora da Cultura da Câmara de Guimarães, enaltecendo o trabalho desenvolvido e o "profissional dedicadíssimo" que foi Rui Torrinha.
"Foi uma decisão de parte a parte, um acordo, não se tratou de nada que não fosse conversado e que não fosse, assim, concluído pelas partes", justifica o presidente da Oficina.
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