Oficiais de justiça em falta: Sindicato alerta para 2.000 profissionais
...
Os tribunais portugueses registam uma carência de mais de 2.000 oficiais de justiça, funcionando em alguns casos com apenas dois ou três trabalhadores por secção, alertou hoje a secretária executiva regional do Centro do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ).
"Faltam mais de 2.000 oficiais de justiça nos tribunais. Todas as secções, todos os tribunais têm carências: temos tribunais que estão a trabalhar com dois ou três funcionários nos núcleos mais pequenos", destacou Helena Oliveira.
Em declarações à agência Lusa por telefone, à margem do plenário de funcionários de justiça que decorre esta manhã no Palácio da Justiça de Coimbra, a dirigente sindical explicou que entre as principais reivindicações dos trabalhadores estão o reforço dos recursos humanos, a revisão das carreiras e a melhoria das condições de trabalho.
Segundo Helena Oliveira, a carreira dos oficiais de justiça permanece sem revisão há cerca de 20 anos, "sendo uma das carreiras não revistas desde 2008, quando a reorganização da administração pública começou a rever todas as carreiras".
"Neste momento estamos na revisão estatutária, mas as coisas estão a avançar muito lentamente", acrescentou.
A dirigente sindical indicou também que, embora a entrada de novos profissionais estivesse prevista para abril, o procedimento concursal ainda não foi lançado.
"Não sabemos quantos oficiais de justiça é que vão colocar", afirmou, evidenciando que, mesmo depois da abertura dos concursos, será necessário aguardar pela formação dos novos trabalhadores até que estes possam reforçar os tribunais.
A situação é agravada pelo envelhecimento da classe, "cuja média de idades ronda os 50 anos".
À Lusa, Helena Oliveira alertou também para a eventual aplicação do sistema de avaliação de desempenho da Administração Pública (SIADAP) aos oficiais de justiça, defendendo que o modelo deve ter em conta a natureza específica das funções desempenhadas num órgão de soberania.
"Nós estamos na dependência dos magistrados e do Conselho Superior da Magistratura e, por isso, não pode ser o Estado a tentar inspecionar-nos, visto que trabalhamos num órgão de soberania", concluiu.