Novo livro-CD de Sete Lágrimas prossegue série sobre Cancioneiro de Elvas
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Este é o segundo volume do "The Elvas Project" reúne vilancicos, cantigas, tercetos e outras formas poético-musicais, tal como acontecerá no terceiro volume.
Nos restantes volumes, a sair em breve, os músicos Filipe Faria e Sérgio Peixoto compuseram especificamente para os 36 romances, glosas, vilancicos e cantigas que se encontram no manuscrito, mas sem música.
O projeto iniciou-se em 2025, "embora a relação de Sete Lágrimas com o Cancioneiro de Elvas seja muito anterior: trabalhamos e revisitamos este manuscrito há cerca de 26 anos", disse à agência Lusa Filipe Faria, do conjunto.
A investigação de base e a conceção artística do projeto são desenvolvidas por Filipe Faria e Sérgio Peixoto, a partir da bibliografia, edições e investigação musicológica já existentes sobre o Cancioneiro, nomeadamente os trabalhos de Manuel Joaquim, Manuel Morais, Gil Miranda e Manuel Pedro Ferreira.
"O trabalho de Sete Lágrimas passa pela leitura e estudo integral do códice, seleção e organização do repertório, preparação musical, arranjos e, nos volumes 4 a 6 (a sair entre 2028 e 2030), pela composição de nova música para os 36 textos que o manuscrito conserva sem música", disse o músico.
Do códice original, descoberto em 1928, perderam-se 44 fólios. O duo Sete Lágrimas propõe-se, nesta hexalogia, gravar 65 canções profanas, e musicar aqueles poemas cuja música se perdeu.
No texto que acompanha o disco, Filipe Faria afirma que a "grande maioria" das peças do Cancioneiro foi escrita para três vozes.
Dos 101 textos que compõem o Cancioneiro, que se conserva na Biblioteca de Elvas, 82 são em castelhano e 19 em português.
Apesar de não se referir os nomes dos autores e compositores, é possível identificar autores como Juan del Encina (1429-1530), Pedro de Escobar (1465-1595) ou Pedro Pastrana (1480-1559), entre outros como Pêro Andrade de Caminha (1520-1580), afirma Filipe Faria.
Quanto à temática, os textos tratam sobretudo de temas amorosos e de lamento, mas também do quotidiano e de sátira, "num registo onde o lírico e o mundano convivem".
Filipe Faria realçou que, "mais do que o repositório de poesia e música, o Cancioneiro de Elvas oferece um retrato das práticas criativas do seu tempo".
O 1.º volume saiu no ano passado e a conclusão da hexalogia está prevista para 2030.
O CD editado, sob a direção musical de Filipe Faria e Sérgio Peixoto, inclui 22 temas. As vozes são de Sérgio Peixoto e Filipe Faria, que toca também percussão, e os restantes músicos são Pedro Castro (flautas e baixão) e Tiago Matias (vihuela).
O grupo de música antiga e contemporânea Sete Lágrimas foi fundado em Lisboa, em 1999, por Filipe Faria e Sérgio Peixoto, que asseguram a direção artística do projeto dedicado ao diálogo entre a música antiga e a contemporaneidade, assim como entre repertórios eruditos e tradições seculares.
A sua discografia conta 20 títulos, entre os quais "Diaspora.pt" (2008), "Terra" (2011), "Península" (2013), "Folia Nova" (2023), "BACH" (2024), "Fragmenta" (2025) e "Requiem" (2026).
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