Mais previsões: Meteorologia 25 dias

PUBLICIDADE

Novo livro aborda história do vinho de talha no Baixo Alentejo

...


                    Novo livro aborda história do vinho de talha no Baixo Alentejo
Novo livro aborda história do vinho de talha no Baixo Alentejo (Foto: Reprodução)

Uma 'viagem' pela história, cultura e saberes associados ao vinho de talha, uma das mais singulares tradições vitivinícolas que se mantém 'viva' no Baixo Alentejo, é a proposta do novo livro coordenado pelo historiador Manuel Baiôa.

 

A obra "O Vinho de Talha no Baixo Alentejo" constitui uma mostra "sobre o vinho, mas também sobre as comunidades que o produziram, os oleiros que fabricaram as talhas, as vinhas que moldaram a paisagem e as adegas e tabernas onde o vinho se tornou um elemento fundamental da sociabilidade alentejana", indicou hoje Manuel Baiôa.

Em declarações à agência Lusa, o historiador e investigador explicou que o livro pretende demonstrar que "o vinho de talha tradicional alentejano não constitui uma reprodução inalterada do vinho romano, mas o resultado de uma longa construção histórica".

Ao longo dos últimos 2.000 anos, desde os tempos romanos, esta tradição vitivinícola, que Manuel Baiôa disse existir apenas "em Portugal, Espanha, Arménia e Geórgia", sofreu melhorias e evoluções, que fazem com que o vinho de talha moderno seja hoje "um vinho alentejano".

"Herdou técnicas e recipientes de uma antiga tradição mediterrânica, que as comunidades alentejanas foram transformando ao longo de muitos séculos, adaptando-os às condições naturais, económicas e culturais do território", elucidou.

A título de exemplo, o historiador e também professor do ensino secundário e da Universidade Politécnica de Beja disse à Lusa que as talhas romanas, ao contrário do que acontece no Alentejo, "eram semienterradas, mais pequenas e não tinham orifício de sangria".

"E a curtimenta, que é a fase de contacto das peles e das grainhas com o líquido, é mais longa no vinho de talha alentejano", acrescentou, referindo que o livro alude ainda a outras diferenças ao longo dos séculos.

A obra surge no âmbito do Baixo Alentejo – Cidade Europeia do Vinho 2026, sendo promovida pela Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), associada ao projeto Patrimónios do Baixo Alentejo, cofinanciado pelo programa Alentejo2030.

A apresentação está marcada para as 18:00 do próximo dia 22, no Centro Interpretativo do Vinho de Talha, em Vila de Frades, no concelho de Vidigueira, distrito de Beja, indicou a CIMBAL.

Esta é a primeira edição, mas, ainda este mês, "vai sair uma segunda edição", a cargo das Edições Colibri, para venda, revelou Manuel Baiôa, que é o coautor da obra, em parceria com João Pereira Santos, professor do ensino secundário, e o fotojornalista Ricardo Zambujo, do semanário Diário do Alentejo.

De acordo com o investigador, o leitor vai poder 'folhear' oito capítulos, ao longo de 192 páginas, que "percorrem a história da vinha e do vinho no Baixo Alentejo, desde os primeiros contactos mediterrânicos até à atualidade", assim como "histórias de pessoas e lugares".

"Desde os vestígios da produção vinícola romana, como os de São Cucufate, na Vidigueira, até aos últimos mestres oleiros que continuam a fabricar talhas", ilustrou o coordenador.

Além disso, assinalou, traça a evolução desde "as antigas vinhas de sequeiro até às adegas familiares e tabernas onde, durante gerações, o vinho acompanhou o trabalho, a gastronomia, o cante e a convivência quotidiana".

A obra resultou de "um trabalho exigente e multidisciplinar" desenvolvido "ao longo de vários anos", assente em consultas "de bibliografia científica, fontes documentais e iconografias, estudos e relatórios arqueológicos e trabalhos especializados".

Incorpora igualmente "entrevistas e contactos diretos com produtores de vinho de talha e oleiros, que partilharam os seus conhecimentos, experiências e saberes transmitidos ao longo de gerações".

"Acredito que este livro pode contribuir para um melhor conhecimento e valorização do vinho de talha, mas também para uma maior consciência dos riscos que ameaçam a continuidade deste património", realçou.

Doutorado em História Contemporânea pela Universidade de Évora, Manuel Baiôa é investigador do CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades daquela academia.

Leia Também: Teatro Infantil de Lisboa estreia "Mowgli - O Livro da Selva" no dia 31