Nova editora Monstro estreia-se com poesia da brasileira Alice Sant'Anna
...
Uma nova editora portuguesa, chamada Monstro e fundada por Ricardo Leitão e Teresa Esgaio, estreou-se com o lançamento de "Acrobata", da poeta brasileira Alice Sant'Anna, e propõe-se editar obras literárias que desafiem convenções e escapem às classificações tradicionais.
Apresentada na quinta-feira, no Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa, a Monstro assume-se como uma "nova editora literária independente", que "inaugura um projeto editorial guiado pelo amor à literatura", segundo um comunicado hoje divulgado.
"A Monstro nasce de uma vontade de publicar livros que desafiem convenções, despertem curiosidade e abram espaço a diferentes formas de pensar, sentir e escrever", afirmam os editores.
A editora pretende privilegiar a qualidade literária e a liberdade criativa, sem subordinar as escolhas editoriais a critérios comerciais, apostando em obras portuguesas e estrangeiras traduzidas.
O seu catálogo abrangerá poesia, ficção, ensaio e outras obras que os fundadores classificam como "monstruosidades difíceis de catalogar".
"Sentimos que há, no campo literário, uma segmentação rígida dos estilos, principalmente em Portugal, e casos há em que a obra não se encaixa num estilo predefinido, é um monstro de algum modo", afirma Teresa Esgaio, citada num comunicado.
Segundo a fundadora, estas obras acabam frequentemente afastadas das livrarias por serem consideradas pouco comerciais, apesar de a sua singularidade poder refletir "originalidade, modernidade, liberdade criativa, provocação, génio".
"Nós queremos esses monstros à solta nas livrarias, prontos para atacar leitores que gostam de se surpreender", acrescenta.
Ricardo Leitão critica, por sua vez, a tendência para desvalorizar os leitores, considerando que a ideia de que apenas os romances mais convencionais encontram público, associada à procura do lucro, contribui para reduzir a exigência intelectual da oferta editorial.
"Esta visão de um leitor preguiçoso, aliada à ganância comercial, acaba por baixar a fasquia intelectual das obras que chegam às livrarias", afirma.
A criação da Monstro teve origem na descoberta de livros esquecidos numa biblioteca herdada pela família de Ricardo Leitão, que despertou o interesse em recuperar obras de qualidade e dar espaço a outras que dificilmente encontrariam lugar no mercado editorial.
O projeto conta com a colaboração de Jorge Reis-Sá como consultor editorial, embora a seleção dos títulos permaneça sob responsabilidade dos dois fundadores.
A identidade gráfica da editora é da responsabilidade da 'designer' Inês Cox, que desenvolveu uma linha visual comum às publicações, privilegiando a sobriedade, a tipografia e a qualidade dos materiais.
O primeiro título, "Acrobata", de Alice Sant'Anna, foi apresentado por Anabela Mota Ribeiro, numa sessão que contou com a presença da autora brasileira.
Leia Também: Primeiro automóvel em Portugal é protagonista de novo livro infantil