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MSF alerta para impacto da guerra na saúde mental de crianças em Gaza

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                    MSF alerta para impacto da guerra na saúde mental de crianças em Gaza
MSF alerta para impacto da guerra na saúde mental de crianças em Gaza (Foto: Reprodução)

A Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou hoje para o impacto que três anos da "brutal ofensiva militar israelita" tiveram na saúde mental das crianças em Gaza, sublinhando que muitas delas enfrentam problemas relacionados com o trauma da guerra.

 

"Em toda a Faixa de Gaza, estamos a assistir a níveis avassaladores de luto, ansiedade, distúrbios do sono e sofrimento psicológico, tanto entre adultos como entre crianças", afirmou o chefe da missão desta organização não-governamental (ONG) na Palestina, Franz Luef.

"Três anos de uma brutal ofensiva militar israelita tiveram um impacto devastador na saúde mental da geração mais jovem de Gaza", continuou citado num comunicado.

A MSF, que citou dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), referiu que o número de pessoas que precisam de apoio urgente em saúde mental e psicossocial mais que duplicou desde o início do conflito iniciado após os ataques do Hamas em 07 de outubro de 2023.

Segundo esses dados, o número de pessoas que requerem este tipo de apoios passou de cerca de 485.000 para mais de um milhão de pessoas.

"Os cuidados de saúde mental tornaram-se uma parte crucial do trabalho da MSF: as equipas prestam consultas individuais, realizam atividades em grupo de natureza psicossocial e psicoeducativa para adultos, bem como atividades recreativas para crianças e adolescentes, que são particularmente vulneráveis", acrescentou a ONG.

De acordo com os membros da MSF que trabalham no enclave palestiniano, as crianças têm recriado através de brincadeiras e desenhos o ambiente que as rodeia.

"Em vez de brincadeiras que reflitam uma infância normal, os conselheiros observam as crianças a imitar a distribuição de ajuda humanitária, a descrever ataques ou a brincar entre os escombros de edifícios destruídos", continuou a MSF na nota.

Em alguns casos, os conselheiros em saúde mental da ONG têm reportado um "aumento da ansiedade, do medo, dos gritos, do comportamento agressivo, do hábito de roer as unhas e da urinação involuntária entre as crianças".

Mais de 340 crianças foram mortas na Faixa de Gaza desde o início do cessar-fogo, a 10 de outubro de 2025. Cerca de 800 mil continuam deslocadas, com a maioria a sobreviver em tendas ou em edifícios bombardeados, denunciou sexta-feira a UNICEF.

Numa clínica da MSF na cidade de Gaza, os membros da ONG prestam apoio a estas crianças através de música, jogos, histórias e desenhos.

"Tentamos lembrar às crianças a sua humanidade e que são crianças", disse um dos conselheiros de saúde mental da MSF, Al-Balbisi, citado no comunicado.

Segundo a ONG, um dos principais papéis destes conselheiros passa por ajudar as crianças a reconectarem-se com quem eram antes da guerra e compreenderem as suas emoções.

Ainda assim, a MSF sublinhou que, para as crianças que tinham idade suficiente para se lembrarem da vida antes do "genocídio perpetrado por Israel", quase nada resta "do mundo que conheciam".

No início do mês, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) alertou que quase a totalidade da população de Gaza, cerca de dois milhões de pessoas, continua sem alojamento adequado antes da chegada do inverno.

De acordo com a OIM, mais de metade das tendas e abrigos improvisados atualmente em utilização estão em mau estado e precisam de ser substituídos.

Em setembro, 21 pessoas morreram na cidade de Gaza, após o colapso de um edifício de seis andares que tinha sido atingido durante o conflito.

Nas atuais condições na Faixa de Gaza, a estação das chuvas é propícia ao desenvolvimento de pragas, mosquitos, bolores e bactérias, segundo a OMS.

Desde o início da ofensiva israelita após os ataques do Hamas, o número de mortos ultrapassa os 74.469, enquanto o número de habitantes de Gaza feridos, muitos com amputações e ferimentos permanentes, ronda os 175.500, segundo dados do Ministério da Saúde controlado pelo Hamas.

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