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Movimento diz que estudo anunciado para metro até Azeméis já foi feito

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                    Movimento diz que estudo anunciado para metro até Azeméis já foi feito
Movimento diz que estudo anunciado para metro até Azeméis já foi feito (Foto: Reprodução)

O Movimento Cívico pela Linha do Vouga acusou hoje o Governo de "manobras de diversão", ao anunciar para a eventual linha de metro do Porto até Oliveira de Azeméis um estudo já feito e com obras em curso.

 

"Estudar o que já estava estudado — e aprovado pelo próprio Executivo — serve apenas para arrastar o impasse, gastar recursos públicos e mascarar a falta de investimento real", diz a organização de defesa da linha férrea que desde 1908 liga Espinho a Aveiro pelo interior, nomeadamente por Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Oliveira de Azeméis.

A reação da estrutura cívica que defende o chamado "Vouguinha" deve-se a dois anúncios da passada quarta-feira: um pelo ministro das Infraestruturas, que disse que a linha de metro do Porto pode ser alargada aos municípios da zona sul da Área Metropolitana do Porto (AMP) através do canal da Linha da Vouga, e outro pela empresa Transportes Metropolitanos do Porto, que antecipou a realização de estudos para avaliar a concretização desse alargamento – equacionando a mudança para a mais larga bitola ibérica ou para o rodoviário metrobus.

Para o Movimento Cívico, "o cúmulo deste desnorte político" é o Governo estar a ignorar o Plano Ferroviário Nacional "que ele próprio aprovou, consagrando de forma inequívoca a preservação, valorização e modernização de toda a Linha do Vouga no seu perfil ferroviário tradicional de via estreita – em bitola métrica".

Nessa medida, a estrutura que representa os utentes do Vouguinha afirma: "Ver o ministro vir agora a público anunciar mais 'estudos' para alterar o canal ou estudar soluções de metro/rodovia é um ato de profunda irresponsabilidade institucional. Estará o Governo a gastar dinheiro público para estudar o desmantelamento daquilo que ele próprio aprovou através do Plano Ferroviário Nacional, no âmbito do qual, inclusive, está neste momento a proceder a uma intervenção de renovação integral de via?".

Recordando que "a requalificação e modernização em bitola métrica está inscrita no Plano Nacional de Investimentos 2030, supostamente contando com dotação orçamental própria", o Movimento acusa assim Governo e Transportes Metropolitanos do Porto de "leviandade".

"Ela fica demonstrada pela contradição absoluta no seio da própria gestão metropolitana e governamental: enquanto o ministro Miguel Pinto Luz surge no Porto a acenar publicamente com a extensão da rede do Metro do Porto sobre o canal da Linha do Vouga, a Transportes Metropolitanos do Porto, liderada por Nuno Sousa, ainda há escassos dias assumia publicamente estar a estudar a opção entre a bitola ibérica e o metrobus", justifica.

A organização cívica também responsabiliza os presidentes das câmaras municipais da zona sul da AMP pela "espiral de atrasos que sufoca a região" – território em que Vale de Cambra se inclui, mas sem dispor de linha férrea, pelo que a referência do ministro a esse concelho, a propósito do alargamento do metro, é encarada como "puramente instrumental".

Como a Lusa noticiou em fevereiro, um dos troços da Linha do Vouga atualmente em obras, por exemplo, é o de Espinho até Paços de Brandão, na Feira, sendo que essa empreitada de 7,5 milhões de euros e a concluir até fevereiro visa, segundo explicou na altura a Infraestruturas de Portugal (IP), "a modernização e renovação progressiva dessa estrutura ferroviária".

A IP quer com isso contribuir para "a melhoria dos níveis de serviço e de segurança da exploração", que, desde maio de 2025, entre a estação de Espinho e a de Pinheiro da Bemposta, em Oliveira de Azeméis, já integra o sistema de transporte metropolitano Andante.

No conjunto das suas diversas etapas, o Plano de Reabilitação da Linha do Vouga abrange 96 quilómetros de extensão, não só na zona sul da AMP, mas também em Albergaria-a-Velha, Águeda e Aveiro – nestes dois últimos casos, com obras de 6,75 milhões de uros também já a decorrer desde meados de outubro.

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