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Morreu Jeffrey Archer, escritor e ex-político britânico. Tinha 86 anos

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                    Morreu Jeffrey Archer, escritor e ex-político britânico. Tinha 86 anos
Morreu Jeffrey Archer, escritor e ex-político britânico. Tinha 86 anos (Foto: Reprodução)

Jeffrey Archer, escritor e ex-político britânico, morreu, esta segunda-feira, aos 86 anos. A notícia é avançada pela editora HarperCollins. 

 

Através de um comunicado, citado pela BBC, a editora HarperCollins adiantou que o escritor morreu "repentinamente e pacificamente em casa" esta segunda-feira. 

Jeffrey Archer vendeu mais de 300 milhões de livros ao longo da sua carreira de cinco décadas. Entre as obras, destacam-se "The Clifton Chronicles" e "Kane and Abel". 

O também ex-deputado foi preso em 2001 depois de ter mentido e ter agido de má-fé num processo por difamação contra o Daily Star, em 1987. 

Jeffrey Archer nasceu no norte de Londres a 15 de abril de 1940. No entanto, a sua família mudou-se logo depois para Weston-super-Mare, em Somerset.

Enquanto escritor, o último livro de Archer será lançado esta semana. A editora HaperCollins descreveu Jeffrey Archer como um "mestre contador de histórias" cujos leitores "significavam muito para ele". 

A publicação estava prevista para terça-feira, e o jornal britânico The Sun noticiou que tinha autografado livros para fãs num evento em Londres no domingo.

Archer - que revelou, em 2014, ter-lhe sido diagnosticado um cancro da próstata - teve uma vida tão colorida como as personagens dos seus romances, que venderam mais de 300 milhões de exemplares, segundo o seu site.

Ambicioso, nunca conseguiu afastar-se completamente do perfume do escândalo, apesar de ter demonstrado um talento inegável para se reerguer depois de reveses humilhantes.

A política e o sexo foram os ingredientes que garantiram o seu sucesso como romancista. Mas, na vida, essa combinação provocou a queda daquele que, em tempos, esperou tornar-se presidente da Câmara de Londres.

Foi julgado por perjúrio e suborno de testemunhas depois de um amigo ter admitido que lhe fornecera um falso álibi durante um processo por difamação instaurado pelo então par contra o tabloide Daily Star, em 1987.

Jeffrey Archer processara o jornal por este ter afirmado que tinha mantido relações sexuais com uma prostituta e obteve 500 mil libras de indemnização.

Tinha conseguido subir quase todos os degraus do Partido Conservador, mas, no entanto, a sua carreira parlamentar terminou abruptamente em 1974, quando esteve à beira da falência após o colapso de uma empresa canadiana de limpeza industrial na qual tinha investido.

Com a sua habitual resiliência, usou contudo essas experiências como matéria para o seu primeiro livro, "Not A Penny More, Not A Penny Less", publicado em 1975 ["Nem Um Tostão a Mais, Nem Um Tostão a Menos", na edição em Portugal], o primeiro de uma série de ´best-sellers´ ambientados nos meios da alta finança e da política.

Embora duramente criticadas, essas obras renderam-lhe uma fortuna, e Jeffrey Archer continuou a alimentar a esperança de regressar à política, ao mesmo tempo que aproveitava as suas relações e capacidade de persuasão para angariar milhões de libras para os conservadores.

Em 1985, os seus esforços foram recompensados pela então primeira-ministra, Margaret Thatcher, que o nomeou vice-presidente do Partido Conservador.

Mas, um ano depois da nomeação, foi obrigado a demitir-se devido ao que descreveu como uma "falta de discernimento", depois de ter enviado 2.000 libras a uma prostituta, Monica Coghlan, uma quantia que sempre afirmou ter entregue apenas para a ajudar.

Em 1992, o sucessor de Thatcher, John Major, recomendou a sua elevação à Câmara dos Lordes, dando-lhe o direito de ocupar um lugar na câmara alta do Parlamento.

No final dessa década, lançou uma campanha para se tornar candidato do Partido Conservador ao cargo de presidente da Câmara de Londres.

Alguns meses depois, veio a público que tinha pedido a um amigo, Ted Francis, que lhe fornecesse um falso álibi no processo contra o Daily Star, situação que o obrigou a desistir da candidatura e foi expulso do partido.

Em 2001, compareceu perante a justiça e foi considerado culpado de perjúrio e suborno de testemunhas.

A obra de Jeffrey Archer é publicada em Portugal pela Bertrand Editora, que mantém no seu catálogo a saga "As Crónicas de Clifton" e a série "William Warwick", focada nas investigações do inspetor protagonista, entre outros títulos do escritor.

Entre os livros publicados em Portugal encontram-se "Quem não Arrisca…", "Escondidos à Vista de Todos", "Só por Cima do Meu Cadáver" e "O Sopro do Tempo", este último publicado em julho deste ano.

A atual líder do Partido Conservador disse que a morte de Archer era um "grande choque". 

[Notícia atualizada às 00h02]

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