Mais previsões: Meteorologia 25 dias

PUBLICIDADE

Morreu Alberto Caetano, arquiteto que doou 367 obras ao Estado

...


                    Morreu Alberto Caetano, arquiteto que doou 367 obras ao Estado
Morreu Alberto Caetano, arquiteto que doou 367 obras ao Estado (Foto: Reprodução)

"Morreu Alberto Caetano, o arquiteto e extraordinário colecionador que doou a sua coleção ao Estado. Deixa uma marca única que reconhecemos com a Medalha de Mérito Cultural em março deste ano", pode ler-se na conta oficial da ministra Margarida Balseiro Lopes na rede X.

 

Nas redes sociais, multiplicaram-se as mensagens a lamentar a morte do colecionador, por artistas, galeristas e instituições, como foi o caso do Museu do Chiado, que referiu que a generosidade de Alberto Caetano "marcou para sempre" a sua história.

"Ao longo de décadas reuniu uma coleção singular, construída com conhecimento, dedicação e uma profunda proximidade aos artistas. A sua doação ao [Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado] constituiu um gesto de extraordinária importância para o património cultural português, enriquecendo de forma duradoura as coleções do Museu e garantindo que este legado possa ser estudado, preservado e partilhado com todos. O seu nome permanecerá ligado ao Museu e às gerações futuras que encontrarão nestas obras um espaço de descoberta, memória e inspiração", lê-se na mensagem publicada pela instituição.

Na rede social Instagram, numa mensagem a dar conhecimento da morte de Alberto Caetano, é indicado que o velório vai realizar-se na quarta-feira, a partir das 09:30 na Basílica da Estrela, em Lisboa, com celebração às 14:45.

Em março deste ano, o Governo atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Cultural na sequência da doação, "sem contrapartidas", ao Estado português, da sua coleção particular, composta por 367 obras de pintura, desenho, gravura, escultura e fotografia, como indicou, na altura, um comunicado do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto.

Este "gesto filantrópico, raro pela sua dimensão e impacto no panorama cultural nacional, reforça o património artístico do país e afirma Alberto Caetano como figura de referência da vida cultural portuguesa", acrescenta.

Arquiteto de formação, Alberto Caetano construiu, ao longo das últimas cinco décadas, uma coleção particular de arte moderna e contemporânea "de extraordinária coerência e diversidade, fruto de uma relação próxima e continuada com inúmeros artistas".

Conhecida por refletir "uma visão artística profundamente pessoal e relacional", a coleção de arte de Alberto Caetano reúne obras de artistas como Ana Jotta, Gaëtan, Miguel Ângelo Rocha, Luísa Correia Pereira, Rui Chafes, Pedro Cabrita Reis, Mário Cesariny, Joaquim Rodrigo, Manuel Lapa, Salette Tavares, Jorge Martins e Diogo Evangelista, entre outros.

Alberto Caetano nasceu em Lisboa, em 1959, e licenciou-se em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa, em 1983, onde viria a lecionar entre 1992 e 2011, cerca de duas décadas, desenvolvendo em paralelo atividade de desenho, artes plásticas e projeto.

Desde meados dos anos 1980 trabalhou nas áreas de recuperação, arquitetura e design, mantendo ateliê próprio em Lisboa desde 1990, com especial atenção à relação entre vivência poética do espaço, rigor construtivo e precisão do desenho, tendo participado também em exposições coletivas e individuais de artes plásticas entre 1975 e 1991.

Leia Também: Produtor Paulo Branco é homenageado na Mostra de Cinema de São Paulo