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Montenegro acusa Centeno de assustar o país com discurso sobre despesa

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                    Montenegro acusa Centeno de assustar o país com discurso sobre despesa
Montenegro acusa Centeno de assustar o país com discurso sobre despesa (Foto: Reprodução)

O primeiro-ministro acusou hoje o antigo ministro socialista e ex-governador do Banco de Portugal Mário Centeno de estar a assustar o país ao falar num aumento da despesa, contrapondo que a despesa corrente primária está controlada.

 

Esta referência ao antigo ministro socialista das Finanças foi feita por Luís Montenegro no final da terceira ronda de perguntas de que foi alvo no primeiro de dois dias de debate a generalidade do Orçamento do Estado para 2027 no Parlamento.

Nessa ronda de perguntas, nenhum deputado que usou da palavra levantou a questão sobre um alegado descontrolo da despesa, mas o primeiro-ministro, durante a sua resposta, atacou quem anda a dizer que este é o executivo mais despesista das últimas décadas.

"Não disseram que era o diabo, mas andaram perto", comentou, antes de identificar o destinatário da sua mensagem.

"Estou a falar de um atual comentador que nos últimos anos teve várias responsabilidades, desde o Governo a altas instâncias da nossa administração. Tem também tentado assustar o país com esse aumento da despesa", observou.

Após a referência indireta a Mário Centeno, Luís Montenegro respondeu: "Não, senhores deputados, a despesa corrente primária em percentagem do nosso produto está num nível absolutamente controlado".

Neste contexto, o líder do executivo assumiu que o seu Governo, "de facto, gasta muito dinheiro em investimentos".

"Gastámos em investimentos que tínhamos de realizar com prazo concreto, nomeadamente no PRR (Plano de Recuperação e Resiliência). Também gastámos muito dinheiro a socorrer os mais atingidos por tempestades, por incêndios, por fenómenos extremos que não estavam previstos. E também temos utilizado a margem disponível em cada ano para ajudar as pessoas com descidas do IRS e para ajudar as pessoas com o aumento das pensões", completou o primeiro-ministro.

Antes, os deputados do PS Luís Graça e Marina Gonçalves tinham criticado o Governo não por causa de um alegado aumento da despesa, mas por, segundo eles, não ter respostas para o aumento do custo de vida, deixando desprotegidas as famílias que não pagam IRS por terem escassos rendimentos. Uma questão que também foi levantada pela deputada do Livre Patrícia Gonçalves, que exigiu a devolução do IVA para as famílias de baixos rendimentos.

Ainda pela parte do PS, Susana Correia e Sofia Andrade criticaram o Governo por ter "falhado promessas" em relação a melhorias no Serviço Nacional de Saúde, apontando, em contrapondo, indicadores cada vez mais negativos, caso, em particular, dos doentes oncológicos.

Pela parte do Chega, Rui Afonso quis saber se o Governo está disponível para ceder, em sede de debate do Orçamento na especialidade, em matéria de IVA sobre os combustíveis. Quis mesmo um esclarecimento se o executivo admite uma descida do IVA do cabaz alimentar.

A deputada do Chega Vanessa Barata defendeu que as ruas do país só têm segurança por causa da ação da polícia. Mas o Governo, na sua opinião, "só dá migalhas para as polícias neste Orçamento".

Também pelo Chega, o deputado Rodrigo Taxa considerou que Luís Montenegro tem muito a aprender com André Ventura no que respeita a fiscalidade e acusou o Governo de "não fazer uma única reforma ao nível do sistema judicial".

O Governo foi defendido nas intervenções dos deputados do PSD Carlos Cação sobre ambiente, Leonor Cipriano sobre política de pensões e Carolina Marques sobre ação social escolar.

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