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Mondlane fala em "quase guerra" com governo local por impedir reunião

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Mondlane fala em "quase guerra" com governo local por impedir reunião (Foto: Reprodução)

O político moçambicano Venâncio Mondlane disse hoje que o seu partido está em "quase guerra declarada" com a província de Inhambane, após um administrador local rejeitar que a formação reúna os seus quadros provinciais para participar da convenção.

 

"A província de Inhambane e nós estamos quase numa situação de guerra declarada. No dia 10 de setembro, Daniel Chapo fez uma visita a Zavala e no dia 11 foi assassinado Elídio Fassitela. Há dois dias foi torturado quase até a morte o nosso coordenador de Zavala. Hoje estamos a receber esta comunicação", disse Mondlane, durante a abertura da convenção extraordinária do partido, aludindo ao despacho do administrador de Inhassoro, que rejeitou o pedido de proteção policial dos membros do partido que estão na província a acompanhar a convenção em direto.

Em causa está uma comunicação do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), que solicitou ao Governo do distrito de Inhassoro, na província de Inhambane a proteção policial ao local que vai acolher os seus membros para acompanhar a convenção extraordinária do partido nas plataformas digitais.

Segundo Mondlane, o executivo local, além de rejeitar o pedido, também adiantou que não autoriza a realização da reunião dos membros do partido naquela província.

"Estamos quase numa situação de quase guerra declarada em Inhambane, e hoje é uma coisa incrível […] nós comunicamos que temos a realização de uma reunião nas nossas instalações, no espaço privado e o administrador diz que não autoriza", disse Mondlane, indicando que o Governo enviou a força policial para impedir a reunião e acusando órgãos governamentais de promover um retorno ao monopartidarismo.

"O que o administrador está a fazer hoje são coisas de 1975, e ainda usar efetivos das forças policiais especiais para impedir uma reunião estatutária no seu espaço privado", acrescentou, acusando o Governo de violar direitos políticos do partido.

O Anamola realiza hoje, em Maputo, a sua primeira Convenção Nacional extraordinária, com a participação de mais de 400 delegados para debater três pontos de agenda, nomeadamente a apresentação e discussão sobre as propostas de revisão dos estatutos do partido, a ideologia partidária e a verificação de como adequar os estatutos à composição da comissão executiva do partido.

Mondlane disse hoje que o seu partido realiza a convenção com uma missão de "fazer história" no país.

"Estamos num período sensível e bom, porque estamos sujeitos a perseguição política, o nível de perseguição que se encontra nunca houve igual na história política deste país […] em um ano temos um saldo de 55 assassinatos" além de detenções "arbitrárias", conforme adiantou.

O político sublinhou que o Anamola foi criado para trazer a verdadeira e genuína independência de Moçambique, afirmando que luta contra as injustiças e pela melhoria do sistema de justiça, um Estado apartidário e com regras imparciais e transversais.

Venâncio Mondlane foi eleito presidente da Anamola em agosto deste ano, na província de Nampula, para um mandato de cinco anos, partido que o próprio, candidato presidencial em 2024, fundou em 2025.

O Tribunal Supremo agendou para 17 de novembro o início do julgamento de Venâncio Mondlane, no âmbito dos protestos que se seguiram às eleições gerais de 09 de outubro de 2024, nas quais o político foi candidato à Presidência da República e não reconheceu os resultados oficiais.

O processo foi movido pelo Ministério Público, que acusa o político dos crimes de apologia pública ao crime, incitamento à desobediência coletiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo.

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