Mondlane denuncia assassinato de dirigente do Anamola na Zambézia
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O político moçambicano Venâncio Mondlane denunciou o homicídio de mais um dirigente do seu partido, Anamola, morto a tiro na província da Zambézia, centro do país, somando quase 60 vítimas mortais num ano.
De acordo com Venâncio Mondlane, o quadro sénior do Anamola no distrito de Mopeia Araújo Tendence foi "assassinado a tiro", enquanto Cândido António, quadro do partido no distrito de KaTembe, em Maputo, no sul, foi "raptado e torturado brutalmente".
Fonte do partido na Zambézia explicou hoje que o homicídio do mobilizador do Anamola no Posto Campo aconteceu ao início da noite de sexta-feira, na sua residência. "Foi morto a bala, tendo na nossa posse os vestígios que comprovam", descreve o partido.
O partido Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), fundado por Venâncio Mondlane, tinha denunciado em setembro passado, após novo crime, o assassinato de pelo menos 57 membros desde a sua criação, em agosto de 2025, pedindo que estes casos sejam investigados.
"O partido Anamola tem vindo a compilar e contabilizar os casos de membros e estruturas que foram vítimas de violência mortal, atingindo atualmente o número 57 de casos registados pelo partido", disse então o porta-voz do partido, Alberto Manhique, em conferência de imprensa, em Maputo.
O número de membros do partido assassinados, denunciou a formação, subiu então para 57 com a morte do dirigente Ilídio Facitela Gustavo, em Inhambane, somando-se a outros 436 casos de "violência extrema" contra o partido, com Venâncio Mondlane a submeter, em maio, uma queixa à Procuradoria-Geral da República (PGR), alegando perseguição política.
Na altura, perante mais um caso de "assassinato brutal" conforme denunciou o Anamola, o partido pediu uma investigação a estes casos denunciados, indicando que Ilídio Facitela Gustavo era uma das testemunhas nos processos em curso, no âmbito das manifestações pós-eleitorais, contra Venâncio Mondlane, que vai ser julgado em novembro pelo Tribunal Supremo moçambicano.
O político convocou os protestos após as eleições gerais de 09 de outubro de 2024, nas quais foi candidato à Presidência da República, não tendo reconhecido os resultados oficiais.
O Tribunal Supremo agendou para 17 de novembro o início do julgamento de Venâncio Mondlane.
O processo-crime foi movido pelo Ministério Público (MP) no âmbito das manifestações pós-eleitorais, estando o político acusado dos crimes de apologia pública ao crime, incitamento à desobediência coletiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo, numa moldura penal que pode ultrapassar 20 anos de prisão efetiva.
Segundo o despacho de acusação do MP, a que a Lusa teve acesso, a prova contra Venâncio Mondlane assenta em grande medida nos apelos à contestação, greves, paralisações e mobilização para protestos feitos através de transmissões em direto nas redes sociais.
Em setembro, o Tribunal Supremo rejeitou o pedido de transmissão em direto do julgamento pelos órgãos de comunicação social, alegando a necessidade de salvaguardar "a lisura" do processo.
Mondlane nunca reconheceu os resultados das eleições gerais de outubro de 2024, que atribuíram a vitória a Daniel Chapo, candidato da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo). A contestação desencadeou uma onda de protestos pós-eleitorais durante cerca de cinco meses, provocando centenas de mortos, além de episódios de destruição e saques.
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