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Milhares fazem fila para ver Trump no Texas entre bonés e bandeiras

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                    Milhares fazem fila para ver Trump no Texas entre bonés e bandeiras
Milhares fazem fila para ver Trump no Texas entre bonés e bandeiras (Foto: Reprodução)

A horas da chegada de Donald Trump à cidade texana de Lubbock, milhares de pessoas faziam já fila para ver o Presidente norte-americano, a verdadeira estrela de um comício de apoio ao candidato republicano ao Senado, Ken Paxton.

 

A cara de Trump em lantejoulas, Trump patinho de borracha, Trump Jesus, Trump Exterminador Implacável, dezenas de 'memes' em camisolas e a bandeira dos Estados Unidos em todo tipo de variantes pintavam a longuíssima fila que serpenteava nas imediações do Memorial Civic Center, com capacidade para cerca de 4.000 pessoas.

"Gostava que ele soubesse que achamos que está a fazer um ótimo trabalho", disse à Lusa Irma Heras, de 81 anos, sentada num banco desdobrável no passeio à espera da abertura das portas.

Admitiu que "não gostava dele quando se candidatou pela primeira vez" em 2020, mas depois de um primeiro mandato e do atual segundo, Trump conquistou-a "porque cumpre as suas promessas".

Entre os apoiantes republicanos ouvidos pela Lusa, uma das principais preocupações é a entrada de imigrantes ilegais, especialmente pertinente num estado com fronteira com o México.

"Eu e o meu marido nascemos no México, mas somos cidadãos americanos. Assimilámo-nos, conhecemos a História e queremos que os nossos filhos e netos vivam as coisas boas que procurámos quando viemos para cá, tinha eu sete anos", frisou.

Para Irma e o marido veterano da guerra do Vietname, Trump fez sentir às gerações mais novas que "a América não é toda má e que há um futuro se uma pessoa estiver disposta a trabalhar no duro".

"Este é o meu país. Só sou fiel a uma bandeira. Deixei o resto para trás, apesar de adorar a cultura e as pessoas" do México, afirmou.

Filha de mãe americana e pai mexicano, Irma não esqueceu uma viagem que a levou a Portugal em 1985, onde a chocou "ver tantos 'grafittis' comunistas nas ruas!".

Temas como a polémica atuação da polícia de imigração e fronteiras contra a imigração ilegal nos Estados Unidos são assuntos resolvidos para os apoiantes de Trump como Irma Heras: "estão a fazer o trabalho que os mandaram fazer".

Criticou o poder judicial americano que "deixou entrar tanta gente" e defendeu que são precisos "juízes que julguem os criminosos, não que façam as suas próprias leis, porque não são eleitos, são nomeados".

As ruas que ladeiam o Memorial Civic Center, um dos maiores recintos da sossegada cidade com cerca de 300 mil habitantes vão-se enchendo de apoiantes, carrinhas de comida - com pipocas e couratos e outros aperitivos - e muitas bancas de 'merchandising'. "Quem não tiver um boné, é democrata!", grita um dos vendedores, empurrando um carrinho repleto de bonés vermelhos com o mote "Make America Great Again". Num alargado perímetro de segurança em torno do pavilhão, dezenas de agentes da polícia de Lubbock e elementos do Serviço Secreto vigiam quem entra e quem passa.

Uma equipa de seguranças musculados vai percorrendo a fila de centenas de metros e a espaços, dá indicações aos apoiantes, pedindo-lhes que entreguem isqueiros, cigarros eletrónicos e uma longa lista de artigos que não são permitidos.

"Se alguém estiver aqui com a intenção de perturbar o que se vai passar, convido-o a ir-se embora agora. Se tiver que lhe dizer a mesma coisa lá dentro, não serei tão simpático", diz firmemente. Um dos apoiantes pergunta "posso ver, se isso acontecer?".

"Até pode bater palmas", responde o segurança, que diz chamar-se Odin.

Com uma enorme cartola com as cores da bandeira, Kenneth Crabb sabe que tem uma longa espera pela frente, mas não se importa. "Vimo-lo em 2020 e também tivemos que esperar. Mas também vimos o [ex-presidente democrata] Clinton. É o Presidente dos Estados Unidos. Não é todos os dias que se pode vê-lo sem estar em Washington DC", afirmou.

Espera que Trump "prometa que vai continuar a manter a fronteira segura e garantir que a economia se reconstrói e os americanos continuam a ter as suas liberdades".

Na corrida para o Congresso que se vota na eleição de meio de mandato de 03 de novembro, Kenneth considerou que "não está tão renhida como dizem as sondagens".

O candidato democrata ao senado James Talarico "não é o que define um texano, porque não se assume como um cristão, acredita na existência de vários géneros...não está sintonizado com o que importa" aos habitantes do Estado.

Mais atrás na fila, Becky Offutt, uma mediadora de seguros, viajou 200 quilómetros de Munday para ver o homem que "fechou a fronteira do Texas e impediu mais terroristas de entrar".

"Não me oponho a que entrem mais pessoas, mas legalmente, da maneira certa", defendeu.

A polícia vai arrumando a fila cada vez maior e tudo decorre numa atmosfera de convívio. Dois jovens vestidos com 'baby-grows' com as cores da bandeira tentam motivar quem aguarda a juntar-se a um coro de "USA! USA!".

Um homem chama uma mulher vestida com uma túnica brilhante decorada com lantejoulas azuis, brancas e vermelhas e diz-lhe: "de certeza que ele vai reparar em si".

Outro vendedor de bonés, camisolas e outro folclore Trumpiano incentiva: "Cartão ou dinheiro! Comprem agora, paguem para o ano!".

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Lusa | 19:33 - 27/10/2026