Mesas de voto encerradas no Brasil e contagem recomeça após prorrogação
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As urnas fecharam hoje às 19h00 (22h00 em Lisboa) no Brasil, após uma ordem do juiz do Supremo Tribunal Federal do Brasil ter prolongado por duas horas o horário de votação na segunda volta das eleições presidenciais do país.
A confusão instalou-se poucos minutos antes das 17h00, após o Presidente, Lula da Silva, e o senador Flávio Bolsonaro terem solicitado um prolongamento por motivos diferentes.
A contagem já tinha começado quando o juiz Cristiano Zanin, a pedido da campanha do Presidente Lula da Silva, decidiu pela prorrogação apenas nas mesas de voto em que as urnas eletrónicas ainda estavam abertas no momento da decisão.
"Considerando a gravidade dos factos narrados, que chegaram ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal (...), e diante da urgência evidente na medida, determino prorrogação por duas horas", escreveu Cristiano Zanin, antigo advogado pessoal de Lula da Silva, na decisão.
O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou um recurso ao Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), devido aos incidentes registados no transporte de eleitores em vários estados brasileiros, principalmente na Baia, estado onde Lula costuma ter fortes votações.
O PT denunciou hoje que alguns presidentes de câmaras municipais da oposição a Lula não cumpriram a ordem da Justiça Eleitoral que obriga os responsáveis municipais a disponibilizar transportes públicos gratuitos e a funcionar em pleno, como num dia útil.
No caso de Salvador, capital da Baía, a quinta cidade mais populosa do país, a Justiça Eleitoral ordenou a detenção do secretário municipal da Mobilidade, Pablo Souza, por suspeitas de ter retido autocarros durante a segunda volta das presidenciais para prejudicar Lula.
O pedido abrangia os estados de São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará, Paraná e Rio de Janeiro.
Também Flávio Bolsonaro pediu ao TSE a prorrogação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina atingidos por fortes chuvas e tempestades.
Contudo, quando a decisão de Zanin foi divulgada, os sistemas do Tribunal Superior Eleitoral já tinham começado a contabilizar os primeiros votos, com os primeiros dados oficiais a darem a Lula 57,6% dos votos, contra 42,3% do filho mais velho de Bolsonaro, com 0,25% das secções de votos contadas.
Na primeira volta, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.
O voto eletrónico permite uma contagem rápida porque após o encerramento da votação cada urna gera um boletim com os votos contabilizados, cujos dados são transmitidos à Justiça Eleitoral para serem somados.
Este processo permite acompanhar e acelerar os resultados na própria noite eleitoral, embora a conclusão da contagem dependa da receção dos dados de todas as secções de voto, incluindo as situadas em regiões remotas e no estrangeiro.