Menopausa? Mulheres devem reivindicar "como direito" o acesso a cuidados
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Associações ligadas à saúde das mulheres defendem que elas devem reivindicar "como um direito" o acesso a cuidados durante a perimenopausa e a menopausa, porque "já não é inevitável" viver sem qualidade de vida, nomeadamente devido a novos medicamentos.
"É necessário dar um reforço às mulheres e às pessoas para conseguirem realmente solicitar cuidado, perceberem que não é inevitável viver assim, que podem ter uma melhor qualidade de vida", alerta a presidente da Associação Portuguesa para o Planeamento da Família (APF), Maria José Alves, em declarações à Lusa.
A responsável preocupa-se com a existência de "medicamentos mais seguros e eficazes" que não têm comparticipação, alertando que "é um direito das pessoas usufruir dos benefícios técnicos e científicos que vão ocorrendo".
"Sem esses medicamentos comparticipados, muitas mulheres que podiam usufruir dos benefícios estão impedidas de o fazer, porque em termos económicos ficam longe de os poderem usar", lamenta a ginecologista-obstetra que preside à APF.
Assim, "é importante sensibilizar as mulheres para esta área, a aumentar-lhes a literacia para elas perceberem que podem viver melhor", refere.
"Se elas começarem a solicitar este cuidado e a explicarem realmente como vivem esta situação, isso também vai forçar isto tudo a acontecer" avisa a ginecologista-obstetra que preside à APF, notando que, por vezes, "uma pequena alteração nos comportamentos pode ser extremamente importante e ter um impacto muito grande" nas mulheres nesta fase da vida.
Por outro lado, embora se associe "imediatamente a menopausa a mulheres, há pessoas que, identificando-se com outros géneros, também passam por essa transição e também têm que ser cuidadas e bem atendidas nos serviços de saúde", assinala.
Maria José Alves considera também que a resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem de ser "mais consistente e protocolada", de modo a alcançar a desejável "abordagem multidisciplinar" e "integral", assente nos cuidados de saúde primários.
"Muitas vezes, são necessários medicamentos para as pessoas terem melhor bem-estar, tratarem alguns sintomas desagradáveis ou diminuírem determinados riscos. A menopausa precisa de uma intervenção multidisciplinar, não só em relação a várias especialidades dentro da medicina, mas também em outros profissionais de saúde", refere.
Para a presidente da APF, é fundamental que as respostas estejam "no SNS e muito presentes nos cuidados primários".
Também a presidente da Vidas - Associação Portuguesa de Menopausa, Cristina Mesquita de Oliveira, apoia a ideia de "dotar as pessoas de ferramentas de informação segura e isenta de interesses comerciais".
"Não é para que as pessoas se automediquem. É para que, junto dos seus médicos, possam ter uma atitude firme. Dizer que até leram no 'site' de uma Direção-Geral de Saúde [DGS], por exemplo, que as mulheres que fumam ou já fumaram podem fazer a terapêutica transdérmica, porque não interfere com as vias metabólicas", exemplifica, em declarações à Lusa.
A associação quer "alargar o planeamento familiar às consultas de menopausa", para que o acesso a cuidados especializados nesta fase da vida seja "um direito universal".
Para Cristina Mesquita de Oliveira, o SNS "não tem respostas" para as mulheres em perimenopausa e menopausa.
Acresce que "a menopausa é um fator de desigualdade entre homens e mulheres no que se refere à manutenção do emprego, enquanto não for assumida na legislação laboral, tal como é assumida a gravidez e a menstruação", defende.
"As mulheres com perimenopausa e menopausa que se sentem afetadas na sua capacidade" devem ser protegidas pelo Estado com alguma legislação que "impeça as empresas de as penalizar" devido a sintomas como "confusão mental, dificuldades de concentração, dificuldades de memória, cansaço, exaustão, calores súbitos no meio de uma reunião", por exemplo.
De acordo com presidente da Associação Portuguesa de Menopausa, "a realidade da menopausa está muito longe de ser uma realidade só clínica", sublinha.
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