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Marcelo e Chissano pedem reforço do multilateralismo para construir a paz

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                    Marcelo e Chissano pedem reforço do multilateralismo para construir a paz
Marcelo e Chissano pedem reforço do multilateralismo para construir a paz (Foto: Reprodução)

Os antigos Presidentes de Portugal e de Moçambique, Marcelo Rebelo de Sousa e Joaquim Chissano, defenderam hoje o reforço do multilateralismo e do diálogo para construir a paz, apontando dificuldades nas instituições internacionais.

 

Durante o debate "Portugal-Moçambique: Diálogo, Cooperação e Desenvolvimento", na Fundação Mário Soares e Maria Barroso, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que a existência de vários polos de poder mundial deve ser acompanhada por mecanismos de cooperação multilateral.

"O multipolarismo ou é acompanhado do multilateralismo ou então perdem-se condições para a paz", afirmou o antigo chefe de Estado português.

"O multilateralismo é mais do que o somatório dos unilateralismos e dos bilateralismos", declarou, acrescentando que pressupõe "condições de diálogo entre o maior número relativamente aos problemas que são problemas do maior número", como o clima, as migrações e as instabilidades sociais.

"As pessoas às vezes dizem: as lideranças internacionais são muito fracas. Mas elas não vêm de Neptuno nem de Júpiter, de outro planeta. Vêm deste planeta", disse.

"Se elas são débeis, como é que as organizações internacionais vão ser fortes? Não podem", sublinhou.

Também Joaquim Chissano reconheceu dificuldades nas instituições internacionais, destacando as Nações Unidas e a União Africana.

"As organizações internacionais têm problemas, sobretudo as Nações Unidas", afirmou o antigo Presidente moçambicano.

"Posso dizer também que a União Africana não está muito bem, porque ainda não consegue se autossustentar", acrescentou, defendendo, a necessidade de se encontrar um objetivo comum para as Nações Unidas.

"Temos que encontrar um objetivo das Nações Unidas. A Guerra Mundial terminou há muito tempo, mas qual é o objetivo agora?", questionou o antigo Presidente moçambicano.

"O consenso encontra-se com um diálogo persistente, criando em primeiro lugar a confiança", frisou, apontando para a necessidade de mais interdependência entre países.

"Nem os Estados Unidos da América se bastam a si próprios, nem a China se basta a si própria", justificou.

O debate contou também com a participação do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, e foi moderado por Jamila Madeira.

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