Mar Negro? Erdogan aconselha Kyiv e Moscovo: "Ajam de forma responsável"
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O Presidente turco exortou hoje a Rússia e a Ucrânia a agirem de "forma responsável" no Mar Negro, onde os navios comerciais são regularmente atacados, numa declaração conjunta com o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.
"Não podemos, em caso algum, aceitar os ataques [contra navios civis], independentemente de quem sejam os autores ou das justificações apresentadas. Apelamos a todas as partes para que ajam de forma responsável nesta questão", disse Recep Tayyip Erdogan.
Salientou que estes ataques e as ações que agravam ainda mais as tensões no Mar Negro "não servem os interesses de ninguém".
O Presidente ucraniano, por seu lado, considerou "indispensável, a todos os níveis, enviar à Rússia sinais que indiquem que não há alternativa à paz e que o apoio à Ucrânia irá continuar".
Ancara nunca apoiou as sanções contra a Rússia desde o início da guerra em 2022 e mantém contactos tanto com Moscovo como com Kyiv. Em setembro, apresentou-lhes um protocolo de acordo para pôr fim aos ataques contra navios mercantes no Mar Negro, atribuídos às duas partes em guerra desde a invasão russa em fevereiro de 2022.
Não só a iniciativa não teve sucesso, como os ataques com drones têm-se multiplicado desde o início de outubro ao largo da Bulgária e da Roménia. A NATO anunciou a mobilização de meios adicionais.
Enquanto membro da Aliança Atlântica, Ancara já acolheu negociações de paz entre os dois países e afirma regularmente estar disposta a organizar novas rondas de negociações.
"Continuaremos as nossas conversações com as partes envolvidas com vista a restabelecer a segurança da navegação no Mar Negro. Estou convencido de que chegar a um acordo sobre este assunto daria também um novo impulso aos esforços para instaurar uma paz duradoura na Ucrânia", insistiu o Presidente turco.
Uma mensagem já transmitida na quarta-feira, durante uma chamada telefónica com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, reuniu-se com o seu homólogo norte-americano, Marco Rubio, na sexta-feira, à margem da cimeira do G20 em Atlanta.
As negociações para pôr fim à guerra estão paralisadas desde o início do ano. Uma reunião entre russos, ucranianos e americanos poderá realizar-se em novembro nos Emirados Árabes Unidos para relançar os esforços de paz, mas Washington ainda não confirmou essa informação.
"Abordámos (…) as perspetivas de um formato deste tipo e outras possibilidades, em particular a possibilidade de envolver a Turquia, a Europa e todos os parceiros", precisou Volodymyr Zelensky, sublinhando "a possibilidade de um encontro aqui, na Turquia".
Em resposta aos ataques russos que devastam as suas infraestruturas energéticas, desde o início da ofensiva russa em grande escala na Ucrânia, em fevereiro de 2022, Kyiv tem vindo a realizar regularmente ataques com drones contra instalações industriais na Rússia. Estes ataques visam esgotar a fonte de receitas proveniente dos hidrocarbonetos que financia o esforço de guerra do Kremlin.
Recentemente, Donald Trump criticou veementemente estes ataques ucranianos, considerando que agravavam a subida vertiginosa dos preços dos hidrocarbonetos registada desde o início da guerra no Irão por parte de Washington e de Israel.
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